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segunda-feira, 28 de junho de 2010

COMO OS MAIAS CONTAVAM O TEMPO?

Calendário maia


O calendário maia é um sistema de calendários e almanaques distintos, usados pela civilização maia da Mesoamérica pré-colombiana, e por algumas comunidades maias modernas dos planaltos da Guatemala.


Estes calendários podem ser sincronizados e interligados, suas combinações dando origem a ciclos adicionais mais extensos. Os fundamentos dos calendários maias baseiam-se em um sistema que era de uso comum na região, datando pelo menos do século VI a.C.. Tem muitos aspectos em comum com calendários empregados por outras civilizações mesoamericanas anteriores, como os zapotecas e olmecas, e algumas civilizações suas contemporâneas ou posteriores, como o dos mixtecas e o dos astecas. Apesar de o calendário mesoamericano não ter sido criado pelos maias, as extensões e refinamentos por eles efetuados foram os mais sofisticados. Junto com os dos astecas, os calendários maias são os melhores documentados e compreendidos.
Pela tradição da mitologia maia, como está documentado nos registros colonais iucatecas e reconstruído de inscrições do Clássico Tardio e Pós-clássico, a deidade Itzamna é frequentemente creditada como tendo levado o conhecimento do sistema de calendários aos maias ancestrais, junto com a escrita em geral e outros aspectos fundacionais da cultura maia.


O mais importante destes calendários é aquele com período de 260 dias. Este calendário de 260 dias era prevalente em todas as sociedades mesoamericanas, e é de grande antiguidade (quase certamente o mais velho dos calendários). Ainda está em uso em algumas regiões de Oaxaca, e pelas comunidades maias dos planaltos da Guatemala. A versão maia é conhecida pelos estudiosos como tzolkin, ou Tzolk'in na ortografia revisada da Academia de Lenguas Mayas de Guatemala. O tzolkin é combinado com outro calendário de 365 dias (conhecido como haab, ou haab'), para formar um ciclo sincronizado durando 52 haabs, chamado de roda calendárica. Ciclos menores de 13 dias (a trezena) e 20 dias (a vintena) eram componentes importantes dos ciclos tzolkin e haab, respectivamente.


Uma forma diferente de calendário era usada para manter registros de longos períodos de tempo, e para a inscrição da data de calendário (identificando quando um evento aconteceu em relação a outros). Esta forma, conhecida como calendário de contagem longa mesoamericano ou contagem longa, é baseada no número de dias transcorridos desde um ponto inicial mítico. De acordo com a correlação entre a contagem longa e os calendários ocidentais aceita pela grande maioria dos pesquisadores maias (conhecida como a correlação GMT), este ponto inicial é equivalente ao dia 11 de agosto de 3114 a.C. no calendário gregoriano proléptico, ou 6 de setembro no calendário juliano (-3113 astronômico). A correlação Goodman-Martinez-Thompson foi escolhida por Thompson em 1935 baseado em correlações anteriores de Joseph Goodman em 1905 (11 de agosto), Juan Martínez Hernández em 1926 (12 de agosto), e John Eric Sydney Thompson em 1927 (13 de agosto). Pela sua natureza linear, a contagem longa podia ser estendida para se referir a qualquer data no futuro ou passado distantes. Este calendário envolvia o uso de um sistema de notação posicional, em que cada posição significava um múltiplo cada vez maior do número de dias.


O sistema numérico maia era essencialmente vigesimal (ou seja, tinha base numérica 20), e cada unidade de uma dada posição representava 20 vezes a unidade na posição que a precedia. Uma exceção importante foi feita no valor de segunda ordem, que em vez disto representava 18 × 20, ou 360 dias, mais próximo do ano solar do que seriam 20 × 20 = 400 dias. Deve-se contudo notar que os ciclos da contagem longa eram independentes do ano solar.
Muitas inscrições da contagem longa maia são suplementadas com uma série lunar, que fornece informações sobre a fase lunar e posição da Lua em um ciclo semi-anual de lunações.


Um ciclo de Vênus com 584 dias também era mantido, e registrava as ascensões heliacais de Vênus como estrela da manhã ou da tarde. Muitos eventos neste ciclo eram vistos como sendo astrologicamente inauspiciosos e perniciosos, e ocasionalmente as guerras eram iniciadas de forma a coincidir com estágios deste ciclo.
Outros ciclos, combinações e progressões de calendários menos prevalentes ou mal-compreendidos, também eram seguidos. Uma contagem de 819 dias aparece em algumas poucas inscrições. Conjuntos repetitivos de intervalos de 9 e 13 dias associados com diferentes grupos de deidades, animais e outros conceitos significativos também são conhecidos.


Conceito maia de tempo


Com o desenvolvimento do calendário da contagem longa e sua notação posicional (que se acredita herdada de outras culturas mesoamericanas), os maias tinham um sistema elegante no qual os eventos podiam ser registrados de forma linear uns relativamente aos outros, e também com respeito ao próprio calendário ("tempo linear"). Em teoria, este sistema pode ser estendido para delinear qualquer extensão de tempo desejado, simplesmente aumentando o número de marcadores de maior ordem usados (gerando assim uma sequência crescente de múltiplos de dias, cada dia na sequência identificado univocamente por seu número da contagem longa). Na prática, a maioria das inscrições maias da contagem longa limitam-se em registrar somente os primeiros 5 coeficientes neste sistema (uma contagem b'ak'tun), que era mais do que adequado para expressar qualquer data histórica ou atual (20 b'ak'tuns são equivalentes a cerca de 7885 anos solares). Mesmo assim, existem inscrições que apontavam ou implicavam sequências maiores, indicando que os maias compreendiam bem uma concepção linear do tempo (passado-presente-futuro).


Contudo, e em comum com outras sociedades mesoamericanas, a repetição dos vários ciclos calendáricos, os ciclos naturais de fenômenos observáveis, e a recorrência e renovação da imagética de morte-renascimento em suas tradições mitológicas eram influências importantes e ominpresentes nas sociedades maias. Esta visão conceitual, em que a "natureza cíclica" do tempo é destacada, era preeminente, e muitos rituais estavam ligados à conclusão e recorrência dos vários ciclos. Como as configurações particulares do calendário eram novamente repetidas, também o eram as influências "sobrenaturais" a que elas estavam associadas. Desta forma, cada configuração particular do calendário tinha um "caráter" específico, que influenciaria o dia que exibia tal configuração. Divinações poderiam então ser feitas a partir dos augúrios associados com uma certa configuração, uma vez que os eventos em datas futuras seriam sujeitos às mesmas influências conforme as datas correspondentes de ciclos prévios. Eventos e cerimônias eram marcados para coincidir com datas auspiciosas, e evitar as inauspiciosas.


O final de ciclos de calendário significativos ("finais de período"), como um ciclo k'atun, geralmente eram marcados pela ereção e dedicação de monumentos específicos (principalmente inscrições em estelas, mas algumas vezes complexos de pirâmides gêmeas como as de Tikal e Yaxha), comemorando o final, acompanhado por cerimônias dedicatórias.
Uma interpretação cíclica também é notada nos mitos de criação maias, em que o mundo atual e os humanos nele foram precedidos por outros mundos (de um a cinco outros, dependendo de onde vem a tradição) que foram feitos de várias formas pelos deuses, mas subsequentemente destruídos. O mundo atual teria uma existência tênue, requerendo súplicas e ofertas de sacrifícios periódicos para manter o equilíbrio de existência continuada. Temas similares fazem parte dos mitos de criação de outras sociedades mesoamericanas.


Calendário tzolk'in


O tzolk'in (na ortografia maia moderna , também escrito tzolkin) é o nome comumente empregado pelos estudiosos da civilização maia para o Ciclo Sagrado Maia ou calendário de 260 dias. A palavra tzolk'in é um neologismo cunhado na língua maia iucateque, para significar "contagem de dias". Os vários nomes deste calendário usados pelos povos maias pré-colombianos ainda são debatidos pelos estudiosos. O calendário asteca equivalente foi chamado tonalpohualli, na língua náuatle.
O calendário tzolk'in combina vinte nomes de dias com os treze números do ciclo trezena para produzir 260 dias únicos. Ele é usado para determinar o momento de eventos religiosos e cerimoniais e para divinação. Cada dia sucessivo é numerado de 1 a 13 e então começa novamente em 1. Além disso, a cada dia é dado um nome uma lista sequencial de 20 nomes de dias:




Calendário tzolk'in: nomes dos dias e glifos associados (em sequência)


Notas:
1. o número sequencial do dia designado no calendário Tzolk'in.


2. Nome do dia, na ortografia padrão revista padrão da Academia Guatemalteca de Línguas Maias.


3. Exemplo de glifo (logograma) para o dia designado. Notar que para a maior parte destes existem várias formas diferentes; as aqui mostradas são as versões talhadas nos monumentos (estas são versões em cartela).


4. Nome do dia, conforme registros em língua iucateque do século XVI, principalmente de Diego de Landa; até há pouco tempo, esta ortografia era largamente difundida.


5. Na maioria dos casos, não é conhecido o verdadeiro nome do dia, tal qual era falado nos tempos do período clássico(c. 200-900) em que foi feita a maioria das inscrições. As versões aqui apresentadas (em maia clássico, a principal língua usada nas inscrições) são reconstruções baseadas em evidências fonológicas, se existentes; o símbolo '?' indica que se trata de uma tentativa de reconstrução.


Alguns sistemas começavam a contagem em 1 Imix', seguido por 2 Ik', 3 Ak'b'al, etc. até 13 B'en. Os números de dias da trezena então começa novamente em 1 enquanto a sequência de nomes de dias continua, assim os próximos dias na sequência são 1 Ix, 2 Men, 3 K'ib', 4 Kab'an, 5 Etz'nab', 6 Kawoq, e 7 Ajau. Com todos os vinte nomes de dias usados, estes começam a repetir o ciclo enquanto a sequência numérica continua, assim o próximo dia após 7 Ajaw é 8 Imix'. A repetição completa destes ciclos interconectados de 13 e 20 dias portanto leva 260 dias para se completar (ou seja, para que todas as combinações possíveis de número/nome de dia acontecer uma vez).


Origem do Tzolk'in


A origem exata do Tzolk'in não é conhecida, mas existem várias teorias. Uma teoria é que o calendário vem de operações matemáticas baseadas nos números 13 e 20, que eram números importantes para os maias. Os dois números multiplicados um pelo outro dão 260. Outra teoria é que o período de 260 dias vem da duração da gestação humana. Este número é próximo do número médio de dias entre o primeiro período menstrual perdido e o nascimento, diferente da Regra de Naegele, que é de 40 semanas (280 dias) entre a última menstruação e o nascimento. É postulado que as parteiras teriam desenvolvido originalmente este calendário para prever as datas de nascimento dos bebês.


Uma terceira teoria vem do entendimento da astronomia, geografia e paleontologia. O calendário mesoamericano provavelmente se originou com os olmecas, e um assentamento existia em Izapa, no sudeste de Chiapas, México, antes de 1 200 a.C.. Lá, a uma latitude de cerca de 15ºN, o Sol passa pelo zênite duas vezes por ano, e existem 260 dias entre as passagens no zênite, e gnômons (usados geralmente para a observação do percurso do sol e em particular suas passagens pelo zênite) foram encontrados nesse e noutros lugares. O almanaque sagrado pode muito bem ter sido iniciado em 13 de agosto de 1359 a.C, em Izapa. Vincent H. Malmström, um geógrafo que sugeriu este local e data, apresenta suas razões:


Astronomicamente, é a única latitude na América do Norte onde um intervalo de 260 dias (a duração do "estranho" almanaque sagrado usado na região em tempos pré-colombianos) pode ser medido entre posições verticais do Sol -- um intervalo que começa no dia 13 de agosto -- o dia que os povos da Mesoamérica acreditavam que o mundo presente foi criado; Historicamente, era o único lugar nesta latitude que era antigo o suficiente para ser o berço do almanaque sagrado, que naquela época (1973) se pensava datar dos séculos IV ou V a.C; e Geograficamente, era o único lugar sobre o paralelo de latitude apropriado que está em um nicho ecológico tropical de terras baixas onde criaturas como jacarés, macacos e iguanas eram nativos -- todos eles usados como nomes de dias no almanaque sagrado.
Malmström também oferece fortes argumentos contra duas das explicações anteriores.
Uma quarta teoria é a de que o calendário é baseado nas colheitas. Do plantio à colheita há aproximadamente 260 dias.


HAAB:






CALENDÁRIO HAAD


O Haab' era o calendário solar maia composto de dezoito meses de vinte dias cada mais um período de cinco dias ("dias sem nome") no fim do ano conhecidos como Wayeb' (ou Uayeb na ortografia do século XVI). Bricker (1982) estimou que o Haab' foi usado pela primeira vez cerca de 550 a.C. com o ponto de início no solstício de inverno.
Os nomes dos meses do Haab' são conhecidos atualmente pelos nomes correspondentes em maia iucateque da eras colonial, conforme transcritos por fontes do século XVI (em particular, Diego de Landa e livros como o Chilam Balam de Chumayel). Análises fonêmicas dos nomes de glifos Haab' em inscrições maias pré-colombianas demonstram que os nomes destes períodos de vinte dias variavam consideravelmente de região para região e de período para período, refletindo diferenças na(s) lingua(s) de básica e usos nas eras Clássica e Pós-clássica predatando seus registros por fontes espanholas.
Cada dia no calendário Haab' era identificado por um número de dia do mês seguido pelo nome do mês. Os números dos dias começam com um glifo traduzido como "assento de" um nome de mês, que é usualmente atribuído como o dia 0 do mês, apesar de uma minoria o tratar como o dia 20 do mês que precede o mês nomeado. No último caso, o "assento de Pop" é o dia 5 de Wayeb'. Para a maioria, o primeiro dia do ano era 0 Pop (o assentamento de Pop). Ele era seguido de 1 Pop, 2 Pop, até 19 Pop, então 0 Wo, 1 Wo, e assim por diante.
Como um calendário para manter registro das estações, o Haab' era um pouco impreciso, já que tratava o ano como tendo exatamente 365 dias, e ignorava o excedente de um quarto de dia (aproximado) no ano tropical real. Isto significa que as estações se moviam com respeito ao calendário por um quarto de dia a cada ano, de forma que os meses do calendário com nomes de estações em particular não mais corresponderiam a estas estações após alguns séculos. O Haab' é equivalente ao ano de 365 dias dos antigos egípcios.


Wayeb'


Os cinco dias sem nome no fim do calendário, chamados Wayeb', eram dias que se acreditavam perigosos. Foster (2002) escreve que "durante o Wayeb' , os portais entre o reino mortal e o submundo se dissolviam. Nenhum limite impedia que as deidades mal-intencionadas causassem desastres". Para afastar os maus espíritos, os maias tinham costumes e rituais que eram praticadas durante o Wayeb' . Por exemplo, as pessoas evitavam sair de casas e lavar ou pentear o cabelo.


Ciclo de Calendário


Nem o sistema Tzolk'in nem o Haab' numeram os anos. A combinação de uma data Tzolk'in e uma data Haab' era suficiente para identificar uma data para a satisfação da maior parte das pessoas, já que uma combinação destas não se repete antes de 52 anos, muito acima da expectativa de vida geral da época.
Estes dois calendários eram baseados em 260 e 365 dias respectivamente, o ciclo completo se repete exatamente a cada 52 anos Haab'. Este período era conhecido como um Ciclo de Calendário. O fim do Ciclo de Calendário era um período de tensão e má sorte entre os maias, eles esperavam para ver se os deuses concederiam outro ciclo de 52 anos.


Contagem longa




Detalhe mostrando três colunas de glifos da Estela 1 de La Mojarra do século II d.C.. A coluna da esquerda dá a data de contagem longa 8.5.16.9.9, ou 156 d.C.. As duas colunas da direita são glifos da escrita epiolmeca.
Como as datas da roda calendárica só podem distinguir 18 980 dias, equivalentes a cerca de 52 anos solares, o ciclo se repete aproximadamente uma vez em uma vida, e portanto, um método mais refinado para manter datas era necessário para registrar a história de forma mais precisa. Assim, para manter datas sobre períodos mais longos que 52 anos, os mesoamericanos criaram o calendário da contagem longa.
O nome maia para dia era k'in. Vinte destes k'ins são conhecidos como um winal ou uinal. Dezoito winals fazem um tun. Vinte tuns são conhecidos como k'atun. Vinte k'atuns fazem um b'ak'tun.


O calendário da contagem longa identifica uma data contando o número de dias desde a criação maia, 4 Ahaw, 8 Kumk'u (11 de agosto de 3114 a. C. no calendário gregoriano proléptico ou 6 de setembro no calendário juliano). Mas em vez de usar um esquema de base 10 (decimal), como a numeração ocidental, os dias da contagem longa eram registradas em um esquema de base 20 modificado. Assim, 0.0.0.1.5 é igual a 25, e 0.0.0.2.0 é igual a 40. Como a unidade winal reinicia ao chegar a 18, a contagem longa usa a base 20 consistentemente só se o tun for considerada a unidade primária de medida, não o k'in, com o k'in e winal sendo os números de dias em um tun. A contagem longa 0.0.1.0.0 representa 360 dias, em vez de 400 em uma contagem de base 20 pura.




Tabela de unidades da contagem longa


Existem também quatro ciclos de ordem superior raramente usados: piktun, kalabtun, k'inchiltun, e alautun.
Como as datas da contagem longa não são ambíguas, esta estava particularmente bem adaptada para o uso em monumentos. As inscrições monumentais não só incluíam os cinco dígitos da contagem longa, mas também incluíam os dois caracteres tzolk'in seguidos pelos dois caracteres haab'.
A interpretação incorreta do calendário mesoamericano de contagem longa forma a base de uma crença do movimento Nova Era, de que um cataclismo aconteceria no dia 21 de dezembro de 2012. 21 de dezembro de 2012 é apenas o último dia do 13º b'a'ktun. Não é o final da contagem longa, pois ainda se seguirão os b'a'ktuns 14º a 20º.
Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, aponta que "para os antigos maias, era motivo de grande celebração chegar ao fim de um ciclo completo". Considera ainda, que a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou mudança cósmica como "uma total invenção e uma chance para muita gente ganhar dinheiro".


Ciclo de Vênus


Outro calendário importante para os maias era o ciclo de Vênus. Os maias eram astrônomos hábeis, e podiam calcular o ciclo de Vênus com extrema precisão. Existem seis páginas no Códex de Dresden (um dos códices maias) devotadas ao cálculo preciso da ascensão heliacal de Vênus. Os maias conseguiram atingir tal precisão por observação cuidadosa ao longo de muitos anos. Existem várias teorias sobre porque o ciclo de Vênus era especialmente importante para os maias, incluindo a crença de que estava associado com a guerra e que era usado para adivinhar bons períodos (chamada astrologia eletiva) para coroações e guerras. Os governadores maias planejavam o início das guerras quando Vênus ascendia. Os maias possivelmente também registravam os movimentos de outros planetas, incluindo Marte, Mercúrio, e Júpiter.


VOCÊ QUER SABER MAIS?


Academia de las Lenguas Mayas de Guatemala. Lenguas Mayas de Guatemala: Documento de referencia para la pronunciación de los nuevos alfabetos oficiales. Guatemala City: . Refer citation in Kettunen and Hemke (2005:5) for details and notes on adoption among the Mayanist community.


"Mythological" in the sense that when the Long Count was first devised sometime in the Mid- to Late Preclassic, long after this date; see for e.g. Miller and Taube (1993, p.50).


Você quer saber mais?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal


sábado, 26 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A ORIGEM DO FUTEBOL

A evolução da bola


A Idade das Trevas


Quem pode afirmar quando começou o jogo? Chutar é uma ação bem instintiva, por isso, sem dúvida, o homem da Idade de Pedra deu, sem querer, uma batida numa pedra ou num osso com seu pé e, talvez, um dia alguém chutou de volta e tudo começou assim.
Contudo, as primeiras indicações de uma maneira formal primitiva de futebol datam de 3000 anos atrás na China da Antiguidade. Uma partida jogada com uma bola de pele de animal recheada de pelo ou penas que era chutada entre estacas de cerca de 10 metros de altura e era, muito provavelmente, utilizada para treinamento militar. Em 50 dC, o jogo foi denominado tsu chu e registros antigos comparam a bola redonda e o gol quadrado como Yin e Yang, os símbolos antigos da harmonia.




Provavelmente, o futebol começou há 3000 anos atrás na China. Esta aquarela mostra Kemari, uma versão japonesa cerimonial do jogo. Ilustração cortesia do Museu Nacional do Futebol, em Preston, Reino Unido.


Os gregos e romanos foram os maiores expoentes de jogos. Construíram arenas por todo seu império e transformaram tudo em teatro, desde corridas de carruagem até combates de gladiadores, em que ferimentos graves ou mesmo a morte eram coisas naturais e faziam parte do espetáculo. Comparado a isso, chutar uma bola parece sem graça, todavia, há indicações de que eles jogavam um tipo de futebol também. No caso dos gregos, era chamado de “episkyros”, e dos romanos, um jogo chamado “harpustum” – mas ambos eram principalmente jogos em que a bola era carregada.
“Harpastum” veio da palavra grega “Harpazein” que significa agarrar. A bola era pequena, quase do tamanho de um melão, e dura, principalmente porque era recheada com areia. O jogo acontecia num campo demarcado, com cada jogador em uma posição como hoje, e os times, provavelmente, formados de 12 jogadores. O jogo mesmo era mais parecido com o rugby, com mais arremessos que chutes, e exigia considerável agilidade. As regras, parece, eram inversas ao do futebol, uma vez que o objetivo era fazer com que a bola permanecesse atrás da linha central, em seu próprio lado, e não permitir que o adversário a pegasse. Os gols eram marcados se a bola batesse no chão.


“Harpastum” veio da palavra grega “Harpazein” que significa agarrar. A bola era pequena, quase do tamanho de um melão, e dura, principalmente porque era recheada com areia. O jogo acontecia num campo demarcado, com cada jogador em uma posição como hoje, e os times, provavelmente, formados de 12 jogadores. O jogo mesmo era mais parecido com o rugby, com mais arremessos que chutes, e exigia considerável agilidade. As regras, parece, eram inversas ao do futebol, uma vez que o objetivo era fazer com que a bola permanecesse atrás da linha central, em seu próprio lado, e não permitir que o adversário a pegasse. Os gols eram marcados se a bola batesse no chão.


Dizem que os Vikings chutavam as cabeças de seus inimigos, o que não era um comportamento muito agradável, mas as sociedades um pouco mais civilizadas, como os japoneses, persas, egípcios, assírios e índios norte-americanos, todos jogavam um tipo de jogo com bola. Os astecas no México desenvolveram seu próprio jogo de chutar, para o qual utilizavam uma pedra coberta com uma fina capa de resina. O jogo, conhecido como “tlatchi”, acontecia entre dois times com sete homens e era uma atividade cultural muito importante. Os jogos aconteciam em estádios construídos para este fim e apostavam-se grandes somas de dinheiro nos resultados.
A essência toda do futebol está em seu implemento mais simples – a bola. E tem de ser um tipo especial de bola, também, com a habilidade de voar pelo ar quando direcionada pelo jogador e – o mais importante – repicar de forma previsível. Foi, de fato, somente com o desenvolvimento de uma bola que repicava e a pura satisfação em chutá-la de jeitos variados, que fez do futebol o jogo mais popular e de maior sucesso no mundo.


VOCÊ QUER SABER MAIS?


Pearson, Harry (25/11/2005). Premiership could learn from Titchy Kid and Hogger (em inglês). The Guardian. Página visitada em 19/06/2010.


Massarani, Abruccio. Luisa,Marcos,BOLA NO PÉ: A INCRÍVEL HISTÓRIA DO FUTEBOL. Editora: CORTEZ, ISBN: 85-249-0993-5.


Saldanha,João em seu livro "O Futebol" - Bloch Editores, Rio de Janeiro, 1971, pg. 46.


http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=1362

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal

terça-feira, 22 de junho de 2010

TRAÍDORES OU MENTES LIVRES?

OS 10 MAIORES TRAÍDORES DA HISTÓRIA!


Ao lado de todo grande homem tem sempre um grande traidor. Se você não acredita nisso,este ranking lhe dá dez bons motivos para desconfiar dos amigos, caso, claro, você tenha planos de gravar seu nome nos livros de história.


1- JUDAS ISCARIOTE


GALILÉIA


33 ANOS APÓS O NASCIMENTO DE CRISTO




Ele não traiu ‘simplesmente’ uma pátria, um partido ou uma ideologia. O mais famoso traidor da história é até hoje lembrado como o sujeito que deu uma rasteira no filho único do Todo-Poderoso. E pior: segundo a Bíblia, Judas entregou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de míseras 30 moedas de prata. Arrependido, o apóstolo tentou devolver o dinheiro e voltar atrás, mas já era tarde. Cristo foi crucificado e Judas, culpado, suicidou-se. Em algumas cidades do mundo, inclusive aqui no Brasil, existe o costume de ‘malhar’ o Judas no sábado de Aleluia (o que vem antes do domingo de Páscoa).


2 TALLEYRAND-PÉRIGORD


FRANÇA


REVOLUÇÃO FRANCESA, SÉCULO 18




Para o ministro das relações exteriores de Napoleão Bonaparte, ‘traição é uma questão de datas’. Talvez por isso, Talleyrand não só tenha abandonado o imperador mas também mudado radicalmente de lado. Numa época em que a França espalhava pela Europa os princípios da revolução, ele organizou a deposição de Napoleão e a volta dos Bourbons para restaurar a monarquia. Depois da crocodilagem, Talleyrand trabalhou como embaixador de Luís XVIII, que sucedeu Napoleão, e representou a França no Congresso de Viena.


3 MARCUS JUNIUS BRUTUS


ROMA


44 A.C.




Brutus certamente não foi o primeiro traidor da história, mas foi o primeiro a se tornar famoso. Depois de lutar pelo Império Romano, comandado pelo seu pai adotivo, Júlio César, ele se uniu a outro traíra, o general Cássio Longinus, para tomar o poder. Não bastasse a traição, o cara aceitou colocar em prática o plano de assassinar o ‘papito’. Ao ser golpeado, César mandou a famosa frase: ‘Até tu, Brutus?’(Et tu, Brute?" (Até tu, Brutus?) é uma frase em latim imortalizada por Shakespere na peça Julius Caesar para representar as últimas palavras do ditador romano. A citação é amplamente utilizado como um epítome da traição.). Depois da traição, Brutus chegou a montar um exército para dominar o Império Romano, mas foi derrotado por Marco Antônio. Aí a consciência pesou e ele se suicidou.


4 HEINRICH HIMMLER


ALEMANHA


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945)




Abandonar os companheiros de luta e passar para o outro lado é considerado traição, independentemente do lado em que está lutando. Por isso, Himmler, o chefe da polícia nazista, está aqui. Afinal, quando ele percebeu que as chances de vencer a guerra eram praticamente nulas, não titubeou em abandonar Hitler e negociar uma rendição da Alemanha com os EUA e a Grã-Bretanha. Himmler tentou entregar a Alemanha para os Aliados em troca de sua liberdade. Mas não deu certo: ele foi considerado criminoso de guerra, foi preso e se suicidou.


5 SILVÉRIO DOS REIS


PORTUGAL


BRASIL COLÔNIA, SÉCULO 18




Apesar de ser português, ele se tornou um dos traidores mais famosos do Brasil antes mesmo de o país se libertar de Portugal. Isso porque passou por cima logo do primeiro movimento de independência, a famosa Inconfidência Mineira. Para escapar das suas dívidas com a Coroa, ele entregou seu amigo Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A conclusão todo mundo já sabe: o líder dos inconfidentes acabou enforcado e esquartejado. Além de ter suas dívidas perdoadas, o delator de Tiradentes ganhou uma pensão vitalícia do governo português e foi até mesmo recebido por dom João.


6 AUGUSTO PINOCHET


CHILE


DÉCADA DE 1970




No dia 25 de agosto de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, escolheu um dos militares que considerava mais leais para assumir a chefia do Exército. Três semanas depois, Pinochet liderava um golpe militar para derrubá-lo e implantar uma ditadura que duraria 17 anos. Pinochet até ofereceu um avião para o presidente fugir, mas uma transmissão de rádio revelou que sua intenção era jogar Allende da aeronave em pleno vôo. Allende confiava tanto em Pinochet que, na manhã do dia do golpe, teria dito: ‘Chamem Augusto, ele é um dos nossos’.


7 DOMINGOS FERNANDES CALABAR


BRASIL


BRASIL COLÔNIA, SÉCULO 17






O único representante brasileiro da lista é considerado por muitos um dos primeiros traidores da história do país. Calabar era um senhor de engenho na capitania de Pernambuco e se aliou aos holandeses quando eles invadiram as terras brasileiras – na época, sob o domínio de Portugal. Como conhecia o território pernambucano como a palma de sua mão, ajudou em praticamente todas as conquistas da Holanda por estas bandas. Alguns historiadores questionam a fama de traidor de Calabar e alegam que ele lutou ao lado dos holandeses porque acreditava que, sem o domínio de Portugal, a pátria seria livre.


8 TOMMASO BUSCETTA


ITÁLIA


DÉCADA DE 1980




Foi um dos membros mais importantes da Cosa Nostra, a máfia italiana. E adivinhem onde ele enriqueceu? No Brasil, traficando drogas. Preso pela Polícia Federal em 1984 e deportado para a Itália, ele fez pinta de arrependido e entregou todo o esquema da máfia. Por colaborar com a polícia, Buscetta ganhou proteção especial e um salário para o resto de sua vida, que terminou em 2000, quando morreu de câncer. O italiano foi o primeiro traidor da máfia a ficar conhecido por quebrar o juramento de silêncio da organização. Ele se safou, mas a Cosa Nostra ‘apagou’ mais de dez pessoas de sua família.


9 ALDRICH AMES


EUA


DÉCADAS DE 1980 E 1990




Espião da mais famosa agência de inteligência americana, a CIA, Aldrich Ames se vendeu para a KGB, o serviço secreto da Rússia, durante a Guerra Fria. Por alguns milhões de dólares, o traíra vendia para os russos o nome daqueles que trabalhavam para os EUA. Descoberto depois de quase 15 anos de serviços prestados aos inimigos, ele foi condenado à prisão perpétua. A Rússia contratou um traidor para ser seu dedo-duro infiltrado na CIA, mas não perdoava traições. Pessoas delatadas por Ames não tinham perdão: muitas foram executadas antes mesmo de poderem se defender.


10- WANG JINGWEI


CHINA


GUERRA SINO-JAPONESA, DÉCADA DE 1930




Depois de participar do Kuomintang, movimento que lutava para unificar o país, Jingwei se revoltou e mudou para o lado inimigo justo quando a guerra da China contra o Japão pegava fogo, literalmente. Ele não apenas fez vista grossa para os avanços japoneses como conquistou a província de Nanquim para os novos amigos.Ao trocar a China pelo Japão, Wang Jingwei deixou de lado sua ideologia comunista para defender um país que fazia parte do grupo do Eixo, aquele mesmo que era comandado pela Alemanha nazista na Segunda Guerra.


VOCÊ QUER SABER MAIS?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal


SOUTHEY, Robert (1774-1843). História do Brasil (Traduzida por Luís Joaquim de Oliveira e Castro). Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 1981.


Selecções do Reader´s Digest - Grandes Personagens da Bíblia. Madrid, 1997. ISBN 972-609-208-6.CALLE CALLE, Francisco Vicente, Judas Iscariote: vida, leyendas, iconografía, "La Quema", www.bubok.com, 2009.


http://cite-du-vatican.over-blog.com/article-13-fevrier-1754-charles-maurice-de-talleyrand-perigord-prelat-et-homme-d-etat-fran-ais-44852584.html


Höhne, Heinz (1969). The Order of the Death's Head, The Story of Hitler's SS. London: Pan Books Ltd. (1972) ISBN 0330029630.


AQUINO, Rubim Santos Leão de; BELLO, Marco Antônio Bueno; DOMINGUES, Gilson Magalhães. Um sonho de liberdade: a conjuração de Minas. São Paulo: Editora Moderna, 1998. 176p. il. ISBN 8516021009.


CHIAVENATO, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo: Contexto, 1989. 88p. il. ISBN 8585134429.


JARDIM, Márcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1989. 416p. ISBN 857011141X.


MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.


MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal - 1750-1808. São Paulo: Paz e Terra, 1985. 318p. mapas, tabelas. ISBN 8521903979.


MÁRQUEZ, Gabriel García. Chile, el golpe y los gringos. Crónica de una tragedia organizada., Manágua, Nicaragua: Radio La Primeirissima, 11 de setembro de 2006.


El Ladrillo: Bases de la Política Económica del Gobierno Militar Chileno. Santiago de Chile: june 2002, ISBN 956-7015-07.


SOUTHEY, Robert (1774-1843). História do Brasil (Traduzida por Luís Joaquim de Oliveira e Castro). Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 1981.


Hsü, Immanuel C. Y. The Rise of Modern China (6th Edition), Oxford University Press (USA): Nueva York 2000.

sábado, 19 de junho de 2010

COMO TUDO COMEÇOU.

Arqueologia no Brasil


A arqueologia no Brasil teve início em 1834, com o dinamarquês Peter Lund, que escavou as grutas de Lagoa Santa (MG), onde foram encontrados ossos humanos misturados com restos animais com datação de 20 mil anos.




PETER LUND


No segundo reinado, Dom Pedro II implantou as primeiras entidades de pesquisa, como o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1922, surgiram outras organizações como o Museu Paulista e o Museu Paraense.


Alguns estrangeiros começaram a vir para o País em 1950, e passaram a explorar sítios arqueológicos na Amazônia, no Pará, no Piauí, no Mato Grosso e na faixa litorânea. Em 1961, todos os sítios arqueológicos foram transformados por lei em patrimônio da União, a fim de evitar sua destruição pela exploração econômica.




INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL


O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou 8.562 sítios arqueológicos. Entre eles, destaca-se o da Pedra Furada (PI), onde a brasileira Niède Guidon localizou, no ano de 1971, restos de alimento e carvão com datação de 48 mil anos. Estas observações vêm a contrariar a tese aceita de que o homem teria chegado à América há cerca de 12 mil anos, pelo Estreito de Bering, entre a Sibéria e o Alasca.




NIÈDE GUIDON


Em 1991, a norte-americana Anna Roosevelt, arqueóloga, descobriu pinturas rupestres na caverna da Pedra Pintada (PA) com mais de 11 mil anos, e, em 1995, revelou sítios cerâmicos na Amazônia com datação de 9 mil anos.




CAVERNA DA PEDRA PINTADA (PA)


Centros Arqueológicos do Brasil


Os centros arqueológicos incluem os sambaquis, as estearias, os mounds e também hipogeus, cavernas, etc.


1. Sambaquis: palavra de origem indígena que deriva de tambá (concha) e ki (depósito). Possuem formações de pequena elevação formadas por restos de alimentos de origem animal, esqueletos humanos, artefatos de pedra, conchas e cerâmica, vestigíos de fogueira e outras evidências primitivas.


2. Estearias: jazidas de qualquer natureza que representam testemunhos da cultura dos povos primitivos brasileiros.




HESTEARIAS


3. Mounds: monumentos em forma de colinas, que serviam de túmulos, templos e locais para moradia.




MOUNDS


4. Hipogeus: ambientes subterrâneos, às vezes com pequenas galerias, nas quais eram sepultados os mortos.




HIPOGEUS


Os principais Centros Arqueológicos do Brasil são:

Centros Arqueológicos


Bacia Amazônica:Cunani, Maracá, Pacoval, Camutins, Sambaqui de Cachoeira, Sambaquis da Foz do Tocantins e de Cametá, Santa Izabel, Tesos e Mondongos de Marajó, Caviana, Santarém, Taperinha, Miracanguera, Rio Tefé, Irapurá, Cerro do Carmo, Rio Içana, Anuiá Luitera, Apicuns, Tijolo, São João e Pinheiro.


Zona Maranhense:Marobinha, Pindaí, Ilha de Cueira, Florante, Lago Jenipapo, Armindo, Lago Cajari e Encantado.


Zona Costeira do Norte e Centro:Cunhaú, Valença, Guaratiba, Macaé, Parati, Saquarema, Feital, Cabo Frio, Cosmos.


Zona Costeira do Sul: Santos e São Vicente, Conceição de Itanhaém, Iguape, Cananéia, Sabaúna, Guaraqueçaba, Paranapaguá, São Francisco, Imbituba, Laguna, Joinvile, Sanhaçu, Armação da Piedade, Porto Belo, Rio Tavares, Rio Cachoeiro, Canasvieiras, Rio Baía, Ponta do Guaíva, Vila Nova, Itabirubá, Penha, Rio Una, Magalhães, Porto do Rei, Laje, Sambaqui das Cabras, Sambaqui ao sul de Tramandaí, Sambaquis do Arroio do Sal, Luiz Alves, Carniça, Cabeçuda, Caputera, Perchil, Ponta Rasa, Sambaquis nas proximidades de Torres.


Zona Central:Lagoa Santa.


Cunani: descoberto por Coudreau (naturalista) em 1883, explorado e descrito por Emílio Goeldi (1895); urnas antropomorfas guardadas em hipogeus. Hartt descreve as urnas, dizendo que eram empregadas durante as idades da pedra e do bronze, na Europa, e posteriormente por tribos, na América. Informações apontam que os povos etruscos e egípcios também as usavam, assim como também os povos do México e Peru.



Maracá: localizados na Guiana e conhecidas desde 1879, são urnas funerárias em pequenas grutas naturais; nelas aparecem as primeiras formas de corpo humano e animais.


Pacoval: primeiro Mound-builder explorado em Marajó. O material extraído da peça que primeiro aflorou foi um cachimbo. O artefato mais abundante e precioso, por não ser encontrado em outras paragens, é a tanga. Hartt foi quem primeiro estudou seu material, reconhecendo na louçaria linhas clássicas ornamentais, como as gregas e as aspirais e também preferência pelas figuras humana e de animais. Foi observada a ausência de motivos ornamentais inspirados nas plantas; na cerâmica ainda distinguiu grande número de ídolos.


Camutins: mounds situados em Marajó, pouco distantes do Pacoval, contendo louça de igual qualidade no gênero das peças.


Caviana: cerâmica diferente da de Marajó; esse material marca a existência da estação lítica (formação do cerâmio).


Santarém: rico e desenvolvido território, onde os resquícios do homem são encontrados em lugares que lembram as estações e fornecem a melhor cerâmica recolhida de Marajó e Cunani, toda ela trabalhada em estilo semelhante ao das peças chinesas antigas, sem pintura, mas de relevo aperfeiçoado.


Miracanguera: une inúmeros túmulos, verdadeiros vestígios de estações. Barbosa Rodrigues, em 1870, descobriu várias urnas funerárias com formas de seres humanos. Nesta mesma região, entre os Rio Madeira e Santarém, Nimuendaju encontrou peças trabalhadas.


Rio Tefé: perto da embocadura desse rio, o padre Tastevin recolheu inúmeros vasos estudados por Métraux. Apesar de certas particularidades, eles demonstram semelhanças com o material de Santarém e são úteis para estudo da influência que essa região possa ter exercido na louçaria indígena. Na margem do Irapurá, Tastevin deparou-se com uma urna representando o rosto da figura humana, contendo ossos em mau estado de conservação. Urnas funerárias simples foram também descobertas por Nimuendaju em Cerro do Carmo, Rio Içana e Anuiá Iuitera (região do Rio Uapés).


Sambaquis: o exame da louça dos sambaquis, com especialidades do sul, coloca em relevo a inferioridade do material. Nos sambaquis do norte, as cerâmicas são de má qualidade e escassas.


Apicuns: localizada ao pé de pequeno igarapé deste nome, à margem direita do Arapipó.


Tijolo: situada na pequena ilha Furo, na confluência do Rio Inajá com o Pirabas.


São João: localizada em terra firme à margem direita do igarapé Avindeua, próximo à junção com o Rio Pirabas.


Hartt encontrou sambaquis no Amazonas (interior) e em Taperinha, pouco abaixo de Santarém. Deixando a Amazônia, os sambaquis da ilha do Maranhão vêm em primeiro lugar. Na várzea aluvial do Pindaré, no seu afluente Maracu, no lago e Rio Cajari, aparecem nas estearias e sambaquis peças de cerâmica quebrada em abundância, sendo observadas semelhanças com a cerâmica de Cunani.


Os sambaquis do Rio de Janeiro e do Distrito Federal contém ossos e pequena quantidade de barro fino. Já os sambaquis da zona compreendida entre Nordeste e a Bahia tendem a desaparecer.


Nos sambaquis do Paraná, Santa Catarina e litoral de São Paulo são encontrados machados polidos, mãos de pilão, poucos utilitários de cerâmicas, morteiros zoomorfos, etc. Ainda se incluem aqui os sambaquis explorados pelo diretor do Museu Nacional, Roquette Pinto, no Rio Grande do Sul, dos quais foram retirados alguns materiais.


Em Cidreira e Vila das Torres, estão: o Sambaqui das Cabras, próximo à Lagoa D. Antonia, a cerca de 17km ao sul de Tramandaí; outro a cerca de 1km para o sul; outro junto ao Capão do Quirino 16 km perto do Arroio do Sal. Ainda há os quatro sambaquis de Torres, todos de grandes dimensões, sendo um ao chegar à Vila de São Domingos e outros três próximos de Mampituba.


A zona Nordeste, toda faixa litorânea subtropical que se estende do norte da Bahia até a embocadura do Paraíba, nas proximidades do Maranhão, é pobre de centros arqueológicos, apesar de ter sido habitada por antigas e variadas nações indígenas.


Em pedras, os melhores achados da Amazônia são as nefrites trabalhadas (muiraquitãs), gravadas em forma de animal ou de homem. A outra reminiscência que a pedra deixou entre os índios da planície, revelada recentemente por Vernau e Paul Rivet, é a clava, extraída da rocha, que, devido à escassez da pedra na vasta imensidão por onde o Amazonas e os seus grandes tributários derramam suas águas, constituiu ativo comércio de trocas entre os povos da bacia.


As idéias e invenções, do domínio da cerâmica, propagavam–se pelas migrações e pelas trocas. No território que se estende entre os Andes e os vales vizinhos da planície, a economia naturalista possibilitou a penetração das civilizações. As tribos que residiam nas proximidades da montanha recolheram variados elementos dos povos do planalto.


Na Amazônia, acentua-se a evolução da cerâmica na passagem para modelo de homens e animais. Essa modificação pode ser atribuída à influência andina. Em Santarém, é difícil demonstrar a mesma influência, registrando fortes analogias entre a cerâmica de Santarém e a dos povos istmos da América Central.


Nordenskiöld pensa na influência centro-americana, que deve ser contemporânea da que irradiou do Peru e dela emana a idéia dos vasos de três pés e de outros tipos de potes encontrados em Santarém e Maracá.


VOCÊ QUER SABER MAIS?


ALBUQUERQUE, Paulo Tadeu de Souza; SPENCER, Walner Barros. Projeto arqueológico:
o homem das dunas (RN). CLIO – série arqueológica, UFPE, Recife, n. 10, p. 176-188,
1994.


AUGÈ, Marc. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. 4 ed.
Campinas: Papirus, 2004.


BAPTISTA, João Gabriel. Etnohistória indígena piauiense. Teresina: UFPI, 1994.


BARBOSA, Márcia. Reconstituição espacial de um assentamento de pescadores-coletorescaçadores pré-históricos no Rio de Janeiro. In: TENÓRIO, Maria Cristina (org.).Pré-história da Terra Brasilis. Rio de Janeiro: UFRJ, 1999. p. 205-221.


BARROS, Paulo Sérgio. Confrontos invisíveis: colonialismo e resistência indígena no Ceará. São Paulo: Annablume; Fortaleza: Secult, 2002.


BORGES, Jóina Freitas. O sítio arqueológico do Seu Bode: Estudo do Material Lítico,
Cerâmico, Ósseo e Malacológico. Teresina: UFPI, 2002. (Relatório final de pesquisa de
iniciação científica PIBIC/CNPq - digitado)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal

sexta-feira, 18 de junho de 2010

UM SOCIALISMO POR VIAS DEMOCRÁTICAS?

RESENHAS


FÓRMULA PARA O CAOS


Waldir José Rampinelli




Waldir José Rampinelli - Professor do Departamento de História da UFSC.




Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, mais conhecido como Moniz Bandeira (Salvador, 30 de Dezembro de 1935), é um professor universitário, cientista político e historiador luso-brasileiro, especialista em política exterior do Brasil e suas relações internacionais, principalmente com a Argentina e os Estados Unidos, sendo autor de várias obras, publicadas no Brasil e na Argentina, bem como em outros países.

“Fórmula para o caos”, expressão extraída de um telegrama da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), é o nome que o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira escolheu para seu livro sobre o golpe de Estado que depôs Allende, no Chile. O autor parte do pressuposto de que seria impossível se chegar à efetivação do modo de produção socialista pela via democrática como desejava Allende, e menos ainda pelo caminho das armas, como defendiam alguns movimentos revolucionários, já que a conjuntura local, regional e internacional era totalmente
desfavorável. Recorre à história das guerras pela independência e da formação do Estado nacional na América Latina para explicar o surgimento do militarismo, que gerou o caudilhismo e que, por sua vez, criou a cultura do golpe de Estado contra projetos nacional-populares.

Não se pode esquecer, no entanto, que o triunfo da Unidade Popular em 1970, não se deu apenas por conta de uma divisão interna na classe dominante, mas culminou de um prolongado esforço de formação de consciências, de organização popular e de lutas comunitárias, cujas origens remontam ao início do século XX, no Chile. Por isso, a transição ao socialismo chegou a ser uma possibilidade nos anos 1970, pois não se tratava de um projeto de um grupo de intelectuais ou de uma ação limitada de alguma vanguarda desvinculada das massas, mas sim de algo surgido dessas mesmas massas e das organizações que não falavam em nome do proletariado, Professor do Departamento de História e coordenador do Núcleo de Estudos de História da América Latina (NEHAL) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC. mas que efetivamente o representavam orgânica e ideologicamente.




Os trabalhos desenvolvidos por Cueva e Vuskovic apontam para essas ideias Moniz Bandeira responsabiliza tanto os movimentos e partidos radicais de esquerda como os de direita pelo caos no Chile (1970-1973), isentando a figura de Allende e defendendo a tese da aliança nacional. Aponta contradições nas forças de esquerda entre as perspectivas dos “gradualistas” e dos “rupturistas”, já que os primeiros defendiam a instauração gradual do socialismo pela via pacífica, ao passo que os segundos buscavam a ruptura da legalidade e o desmantelamento do Estado existente. Essa atuação marcava a ambiguidade política da Unidade Popular e impedia a execução consequente de seu programa de governo. O autor afirma que “Allende e os comunistas, mais realistas, tinham consciência da ameaça do golpe de Estado, que cada vez mais se configurava, como consequência do apressamento e da radicalização o processo revolucionário. Pretendiam avançar gradualmente no que chamavam de construção do socialismo” (p.338).

Por outro lado, mostra, ao longo do livro, que o golpe de Estado acontecido em 11 de setembro de 1973 fora sucessivamente postergado por três razões: a) a defesa intransigente do legalismo do general Carlos Prats, na condição de comandante-em-chefe do Exército; b) a incerteza da unidade das Forças Armadas na derrubada de um Presidente constitucional; e, c) a resistência armada de grupos revolucionários pró-Allende e o consequente receio de uma guerra civil. Isso comprova que a sociedade chilena estava profundamente dividida em uma crescente luta de classes, podendo qualquer um dos lados sair vencedor. Era exatamente essa conjuntura que dava à esquerda da Unidade Popular as razões para avançar na radicalização do processo rumo ao socialismo. No dia 4 de setembro de 1973, data em que o governo de Allende completava três anos desde que fora eleito, uma multidão calculada em 800 mil pessoas marchava pelas ruas de Santiago em apoio ao Presidente. Isso, apenas sete dias antes do golpe.


Moniz Bandeira atribui a “fórmula para o caos” exatamente aos movimentos e partidos de esquerda, entre eles, o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), o Movimento de Ação Popular (MAPU), uma facção da esquerda do Partido Socialista (PS) e uma parte da esquerda cristã do Partido da Democracia Cristã (PDC), como já mencionado. Quanto ao MIR, diz que sua radicalização estava servindo, CUEVA, Agustín. Dialéctica del proceso chileno: 1970-1973. In: VUSKOVIC, Pedro (Org.) El golpe de Estado em Chile. México: Fundo de Cultura Econômica, 1975, p.132 objetivamente, “para lançar as classes médias na oposição, reduzir mais e mais as bases sociais de sustentação do governo, desestabilizá-lo e justificar o golpe de Estado” (p.346). Enquanto isso “Allende, o PC e os setores moderados do PS compreendiam que a Unidade Popular não tinha condições de avançar mais rapidamente o processo revolucionário, dentro da moldura constitucional, inclusive porque a oposição era predominante no Congresso” (339). Na verdade, essa posição reformista é que vai permitir a organização e o avanço da contrarrevolução.


Moniz Bandeira dedica muito tempo à análise das ditaduras militares próximas do Chile, passando a ideia de um determinismo histórico, já que apresenta esses governos impostos pelas Forças Armadas – com o apoio explícito dos Estados Unidos – como inevitáveis. Chega a defender a tese de uma aliança nacional com a burguesia para restaurar a democracia representativa, não se dando conta de que, essa mesma burguesia, não teria permitido tocar na economia de mercado e tampouco realizar as pretendidas reformas. Na verdade, tal estratégia não teria deixado de ser uma capitulação, defendida não apenas pelo Partido Comunista chileno (PCch), mas de toda a região.


O autor deixa, ainda, de dar a devida atenção às profundas transformações econômicas que abriram caminho para um desenvolvimento nacional independente em favor da grande maioria da população chilena, tais como a nacionalização do cobre, do ferro, do salitre, do carvão e de outros recursos básicos do país; a estatização do sistema bancário; a redução drástica do latifúndio; ao fim do controle do monopólio privado da indústria siderúrgica, do cimento e de outros setores industriais, assim como ao término da grande distribuição atacadista; por fim, a abertura de canais de participação por meio dos quais os próprios trabalhadores vão tomando o controle dessas atividades, segundo descreve Pedro Vuskovic em seu texto “Dos años de política económica del gobierno popular”, no livro por ele organizado e citado anteriormente. (p.9-10).


As medidas do Programa do Governo Popular não só enfraqueceram a burguesia como lhe tiraram a sustentação de seu poder econômico, fazendo com que ela perdesse parte da dominação de classe. Por isso, ela trabalhou diuturnamente, assessorada pela CIA, contra a resolução dos problemas e, ao mesmo tempo, pelo seu aprofundamento, preparando o caminho para o golpe de Estado. Moniz Bandeira apresenta um longo estudo (640 p.) sobre a derrubada de Salvador Allende depois que integrantes de movimentos revolucionários e partidos políticos, intelectuais de universidades chilenas e estrangeiras, economistas e sociólogos já tinham feito suas avaliações sobre a via chilena para o socialismo. O que levou o historiador brasileiro a escrever sua versão dos fatos e sua análise desse golpe de Estado parece ter sido o acesso privilegiado que teve às fontes primárias do Itamaraty, concessão inaceitável, visto que elas deveriam estar à disposição de todos os pesquisadores.


Chega a fazer um agradecimento especial ao ministro Hélio Vitor Ramos Filho, diretor do Departamento de Comunicação e Documentação (DCD), por ter autorizado a desclassificação de documentos que proporcionaram todas as facilidades para a realização da pesquisa, além de ceder o prefácio ao embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral (p.40-41). Sua análise dos acontecimentos chilenos é feita, pelo manuseio preponderante de documentos brasileiros, enviados de Santiago para Brasília pelo embaixador do Brasil da época, Antônio Cândido da Câmara Canto, que servia aos interesses das forças conservadoras. Nesses escritos está, portanto, a visão de um golpista que não esteve no centro do poder das forças chilenas que derrubaram Allende. Além dessa limitação, o autor se vale demasiadamente de fontes não primárias – como as memórias de Carlos Altamirano, Augusto Pinochet, Carlos Prats e Toríbio Merino – Empobrecendo as informações e argumentações e, por outro lado, esquecendo-se de
alguns livros muito significativos como Una sola lucha, de Pedro Vuskovic, e El golpe de Estado em Chile, de Agustín Cueva et alii.

Em outro momento da obra, o autor dedica um capítulo inteiro (cap. XV) na análise e descrição da ditadura uruguaia. Passa, com isso, a nítida impressão de ter encontrado uma caixa ou pasta com documentos inéditos sobre aquele regime e, querendo aproveitá-los para torná-los público, reservou um espaço enorme àquele país, sem mostrar as relações profundas com o golpe de Estado chileno. Mais proveitoso seria se tivesse apresentado a política internacional de Allende, que substituiu as fronteiras ideológicas das ditaduras de segurança nacional pelo pluralismo ideológico da Unidade Popular.

Fórmula para o caos foi lançado concomitantemente no Brasil e no Chile, precedido de ampla divulgação, no 35o aniversário da queda de Allende. A Editora Civilização Brasileira, possivelmente pressionada pela data, não teve o tempo necessário para rever os escritos que apresentam erros de grafia, de faltas de preposições e de conjunções, quando não de traduções equivocadas do espanhol e do latim (p.444) ou de datas alteradas (p.124). Embora tais equívocos não comprometam a leitura, mostram, no entanto, uma falta de rigor na impressão. Por fim, não seria nada recomendável a citação do jornal Clarín, em destaque na capa do livro, elogiando o autor do trabalho, uma vez que esse mesmo periódico apoiou enfaticamente o golpe de Estado no Chile.


VOCÊ QUER SABER MAIS?


BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Fórmula para o caos: a derrubada de Salvador
Allende 1970-1973. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. 640 p.


BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. II (2ª. revista, aumentada e atualizada de Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente, São Paulo, Editora SENAC, 224 pp. 1999.


BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 687 pp. 1998.


BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. I (Terceira edição revista de Presença dos Estados Unidos no Brasil – Dois Século de História e Brasil, São Paulo, Editora SENAC, 391 pp.


http://www.diarioliberdade.com/index.php?option=com_content&view=category&id=94%3Arepressom&layout=blog&Itemid=108&limitstart=80

quinta-feira, 17 de junho de 2010

NINJUTSU. A ARTE NINJA DE COMBATE!

HISTÓRIA DOS ANTIGOS NINJAS




A FACE DA MORTE


Shinobi (忍び ou しのび), também conhecidos como Ninja (忍者 ou ニンジャ) era uma organização secreta marcial que habitava as províncias de Iga e Kōga, no Japão. Eram conhecidos por suas habilidades de infiltração, no Japão feudal do século XIV. Forneciam serviços em troca de pagamento, e seus trabalhos envolviam espionagem, assassinato, sabotagem, dentre outros. Eram isolados e viviam uma espécie de contracultura da época, pois os locais onde habitavam eram de difícil acesso, tornando-se reduto de chineses e coreanos refugiados das guerras, bem como de antigos clãs samurais. Isto proporcionou a estas famílias ninjas gerarem uma cultura extremamente sincrética. Ninjas eram mais eficientes em infiltrações (armadilhas, armas ocultas, inteligência) do que no combate em campo aberto, ao contrário da crença popular.




Devido aos seus dotes artísticos, os ninjas estão geralmente associados à figura mitológica do Tengu.


As atividades dos ninjas antigos datam do período Heian na China (794-1185) até a era Kamakura no Japão (1192-1333). Essa época foi o apogeu do ninjutsu antigo. Essa arte se baseava na mistura de truques mágicos e suas capacidades técnicas tendo como origem os monastérios do Tibet, desenvolvendo-se por completo nos Templos Shaolin na China.


Mais tarde no Japão a arte se desenvolveu plenamente. Lá foram criadas técnicas incríveis que foram documentadas nos manuscritos chamados de Torimaki. Muitos desses registros não foram decifrados até hoje porque usavam códigos secretos para não caírem em mãos inimigas. Apenas as famílias que conservaram até os dias atuais tem acesso aos torimaki e sabem sua tradução.


Os ninjas antigos desenvolveram suas técnicas por necessidade, devido a grande opressão existente no lugar onde viviam, especialmente na China e no Japão. Antigamente a tradição era transmitida de pais para filhos e por isso se considerava uma família (ryu) e não uma escola (kai).




O PONTO DE VISTA DO ADVERSÁRIO FAZ A DIFERENÇA ENTRE UM NINJA E UM GUERREIRO COMUM.


Muitas das técnicas dos ninjas se baseiam na natureza, nos animais, no corpo humano e sobretudo na astúcia do modo de atacar dos animais. Por isso suas técnicas se desenvolveram nas montanhas, nos campos, lagos, rios, mares, etc... hoje em dia suas técnicas continuam sendo ensinadas da mesma maneira diferentemente das outras artes marciais. As práticas no campo aberto se realizam com o objetivo de tornar os ninjas mais rápidos, mais fortes e mais audazes.


Os ninjas consideram que a natureza é o melhor meio para o treinamento, melhor que um dojo. Os ninjas antigos conviviam com a natureza ao ponto de depender dela e por isso consideravam o ninjutsu uma forma de vida e não uma arte marcial. Muitos podem pensar que seus treinamentos não servem para a vida cotidiana hoje em dia e só servem para enfrentar uma guerra. Isso é totalmente contrário ao pensamento ninja que treinava e ainda treina para ajudar as pessoas e para ser melhor como pessoa tendo valores em uma sociedade perdida e caótica como a que vivemos atualmente.


Esses incríveis mestres na arte de camuflagem desenvolveram técnicas e armas para se infiltrarem em qualquer lugar. Suas técnicas de espionagem se baseiam no antigo livro chinês “A arte da Guerra” de Sun Tzu.


Sua resistência ao frio e a dor era prodigiosa. Sua coragem era superior ao do samurai. O ninja antigo, sem dúvida não considerava desonroso fugir, porque assim teria uma segunda oportunidade para atacar. O que importava era cumprir a sua missão. Se era capturado preferia se suicidar, não porque não dava valor a vida, mas porque sabia que seria submetido a torturas das mais cruéis para delatar suas famílias. Por isso não duvidavam em se suicidar, pela honra da sobrevivência de sua espécie.


VOCÊ QUER SABER MAIS?


RATTI, Oscar; WESTBROOK, Adele. Secrets of the Samurai: The Martial Arts of Feudal Japan. Boston: Tuttle Publishing, 1991. ISBN 0-8048-1684-0 - mais especificamente, o capítulo sobre Ninjutsu, das páginas 324-331.


www.ninjutsu.com.br/instrutores_14.html


Alves, Roberto. Ninjutsu a arte da resistência. São Paulo: Editora OnLine, 2005.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

GENOMA NEANDERTAL. REVELAÇÕES!!!!!

Genoma do Neandertal conta uma história humana




OSSOS QUE FORAM USADOS PARA PESQUISA DE DNA NEANDERTAL


06 MAIO DE 2010


DAVID CAMERON


HARVARD MEDICAL SCHOOL


A versão preliminar do genoma do Neanderthal, O nosso parente mais próximo evolutiva, revela em detalhes requintados como este membro do extinto há muito tempo da Homo gênero refere-se a seres humanos modernos.
O trabalho para o projeto foi realizado em duas fases. Na primeira fase, os cientistas do Instituto Max Planck em Leipzig, Alemanha extraído vale um genoma de DNA de ossos aproximadamente 40 mil anos de idade, provenientes de uma caverna em Croácia. Na segunda fase, um consórcio internacional que analisou os dados para estudar como os neandertais são relacionados geneticamente com os humanos modernos. A chave-análise conduzida por Harvard Medical School (HMS), professor adjunto da genética David ReichRevelou que os neandertais cruzaram com os ancestrais dos europeus modernos e asiáticos, mas não africanos.
"Os europeus e asiáticos do Leste hoje ter uma relação mais estreita com os neandertais que não africanos", diz Reich. "Um a quatro por cento dos genomas dos não-africanos traçar sua ascendência para Neanderthals. Europeus e asiáticos têm ambos o sinal, indicando que o fluxo gênico ocorreu, pelo menos, 45.000 anos atrás, antes de estas duas populações ancestrais separados. "
Estes resultados são publicados na edição de 06 de maio Ciência.


A PARTIR DE ANCESTRAIS. . .




COMPARAÇÃO ENTRE CRÂNIO DE UM NEANDERTAL E UM HUMANO


Neandertais, que foram extintos cerca de 30.000 anos atrás, por razões desconhecidas, e que divergiram de ancestrais dos humanos modernos 270,000-440,000 anos, têm sido um assunto de intensa especulação. Eles são os mais próximos da população no registro fóssil de humanos anatomicamente modernos, Mas eles são claramente distintas em termos de sua estrutura física.
Neanderthals tiveram maior faces do que nós, com mais caixas em forma de barril e membros mais curtos, e foram provavelmente mais adaptado ao clima mais frio. Seus cérebros, apesar de ser um pouco mais, possivelmente com menor lobos temporais, geralmente eram do mesmo tamanho que o nosso.
O registro fóssil mostra que os humanos modernos e neandertais se sobrepunham geograficamente para dezenas de milhares de anos na Europa e Ásia. A partir desta evidência molas a pergunta óbvia: será que as duas espécies se misturam e partilhar os seus genes?


. . . DE PRIMOS DISTANTES


Por mais de uma década, um grupo de pesquisadores liderados por Svante Pääbo no Instituto Max Planck foi tentar obter as seqüências do genoma do Neanderthal com amostras pílula do tamanho de pó extraído de fragmentos ósseos. Este tipo de trabalho é muitas vezes frustrada por contaminação da amostra (a maioria do DNA extraído em tais experiências acaba de vir de micróbios, ou de um técnico de laboratório infeliz). No entanto, os pesquisadores aumentaram a pureza de suas amostras, tirando partido dos avanços tecnológicos que tanto poderia detectar e filtrar a contaminação do material genético.
O resultado foi uma reconstrução dos pares mais de 4 bilhões de bases de DNA montado a partir de uma variedade de células. Esse total representa cerca de 60 por cento do genoma do Neanderthal.


Uma equipe internacional de geneticistas liderada por David Reich, em seguida, estudaram como os neandertais e humanos modernos estão relacionados ao comparar estes novos dados genômicos para cinco pessoas hoje em dia a partir de regiões distantes do mundo. Reich e seus colegas descobriram que cerca de 1-4 por cento dos genomas de todos os seres humanos não-Africano modernos são descendentes diretos do Neanderthal. Além do mais, esses grupos modernos, todos parecem igualmente relacionados com a sua "distantes" primos.
Uma explicação para essa distribuição uniforme genética é de que a mestiçagem ocorreu na entrada do migração do homem moderno para fora da África na parte superior Paleolítico, Cerca de 45 mil anos atrás. De pontos no Norte de África, isto é, os países modernos, como a Líbia e Egito, os seres humanos modernos dispersos por toda a Europa e na Ásia Oriental.


"Essa não é a única explicação, mas é a mais provável", diz Reich.
Tanto quanto os investigadores podem dizer, essa pequena porcentagem de DNA herdado é aleatório. Não há provas de que ele é associado com características específicas.
De acordo com o professor da Universidade de Harvard da biologia evolutiva humana Daniel Lieberman, Que não estava envolvido com o estudo, não devemos ser extremamente surpreso com a evidência de cruzamento. "Eu não acho que isso de forma alguma diminui a prova de que os neandertais e humanos modernos eram realmente espécies distintas. Espécies estreitamente relacionadas, muitas vezes se cruzam de forma limitada. "


Claramente, os dados são um tesouro para futuros estudos. "Há uma tremenda quantidade de informação ainda não explorada neste genoma", diz Reich, "e nós vamos passar muitas décadas mais aproximar-se o que isso significa."


VOCÊ QUER SABER MAIS?


Green, R., A-S. Malaspinas, J. Krause, A. Briggs, et al. (2008). A complete Neandertal mitochondrial genome sequence determined by high-throughput sequencing, Cell, 134, 416-426.


Krings, M., H. Geisert, R.W. Schmitz, H. Krainitzki, & S. Pääbo. (1999). DNA sequence of the mitochondrial hypervariable region II from the Neandertal type specimen, Proc. Nat. Acad. Sci. USA, 96, 5581-5585.


Krings, M., A. Stone, R.W. Schmitz, H. Krainitzki, M. Stoneking, & S. Pääbo. (1997). Neandertal DNA sequences and the origin of modern humans, Cell, 90, 19-30.


Risch, N., E. Burchard, E. Ziv, & H. Tang. (2002). Categorization of humans in biomedical research: genes, race and disease, Genome Biol, 3, 1-12.


http://www.talkorigins.org/faqs/homs/mtDNA.html

http://www.harvardscience.harvard.edu/culture-society/topics/anthropology

http://hos.princeton.edu/

http://www.princeton.edu/history

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A CORAGEM DE MOSTRAR UMA ADMIRÁVEL NOVA VERDADE.

Os renegados da ciência





Eles defendem idéias que a maioria dos cientistas acha absurdas. Seriam tidos como malucosse não fosse um detalhe: são pesquisadores sérios e têm um currículo acadêmico invejável.


O biólogo americano Robert Weinberg se lembra com carinho da última conversa que teve com o colega Kary Mullis, Prêmio Nobel de Química de 1993. “Eu disse a ele: Doutor Mullis, a história verá como um ato de irresponsabilidade criminal o fato de o senhor usar o seu Nobel para defender que o vírus HIV não causa a Aids”. Weinberg faz uma pausa e continua: “Sabe o que ele me respondeu? Três palavras: as duas primeiras são ‘vá se’ e a outra começa com ‘f’”.


Mullis é uma figura que mudou a história da biologia. Nos anos 80, o ex-hippie californiano inventou a reação em cadeia da polimerase, a PCR, uma ferramenta que revolucionou a genética e deu ao mundo o genoma, os transgênicos e os testes de paternidade. Naquela década, no entanto, Mullis se deixou seduzir pelas idéias desvairadas do bioquímico Peter Duisberg, que negava o fato de que o vírus HIV fosse o agente causador da Aids. Sujeito astuto e dado à polêmica, Duisberg conseguiu convencer diversos cientistas importantes de que o HIV era mesmo inocente, e que a Aids era uma espécie de “reação do corpo” na qual o vírus é um sintoma, não uma causa. Tudo isso sem entender nada de virologia.


Em sua autobiografia Dancing Naked in the Mind Field, de 2000 (“Dançando Nu no Campo da Mente”, inédito no Brasil), Mullis defende Duisberg e diz que a ligação HIV-Aids é parte de uma conspiração das indústrias farmacêuticas, que ganham milhões de dólares com drogas como o AZT. E ataca outras “mentiras” do establishment científico, como o buraco da camada de ozônio e a influência humana no aquecimento global.


Kary Mullis – que saiu de cena desde então e hoje divide seu tempo entre as ondas da Califórnia e palestras para estudantes e empresários – não é o primeiro cientista respeitável a fazer ataques amalucados a idéias científicas bem estabelecidas. Os chamados “céticos” sempre existiram em todos os ramos da ciência, porque é exatamente assim que ela funciona: alguém propõe uma teoria, um monte de gente discorda, as evidências se somam e um dos lados prevalece. Monta-se, então, um consenso, que sempre estará sujeito à falsificação. E, muitas vezes, ele cai.


“A construção de consenso na ciência é um processo aberto, então todas as conclusões que nós damos por certas podem ser escrutinadas e desafiadas”, diz o físico e filósofo da ciência americano David Kaiser, do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT). Segundo Kaiser, algumas áreas tendem a ser mais desafiadas do que outras, e isso depende de dois fatores: da personalidade dos cientistas envolvidos e do que está em jogo com o debate. As opiniões de Kary Mullis sobre a Aids foram convenientemente usadas pelo presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, para negar distribuição de drogas anti-aids aos pobres de seu país. Da mesma forma, rejeitar a idéia de que atividades humanas causam o aquecimento global é música para os ouvidos de políticos financiados pela indústria do petróleo.


Mas, claro, a maioria dos céticos não tem uma razão oculta para atacar um paradigma. Eles fazem isso por vaidade mesmo. Pelo gostinho de poder um dia ver ruir o castelo construído com tanto esmero por seus adversários intelectuais. Enquanto isso não acontece, vão aproveitando os holofotes.


A farsa ambiental




A FARSA DO EFEITO ESTUFA.


É meio-dia em Cambridge, EUA. Faz sol e o clima é de 20ºC negativos. Quem olha da janela do escritório no MIT para o rio congelado, 17 andares abaixo, tem mesmo boas razões para duvidar do aquecimento global. O dono da sala, o meteorologista Richard Lindzen, faz questão da acrescentar outras tantas: “Ninguém questiona que a temperatura média global cresceu 5,8ºC no último século. Mas isso é consistente com a variação natural do clima”.


Dick, como prefere ser chamado, é o inimigo número 1 da idéia de que o efeito estufa seja uma tragédia ambiental iminente, causada pelo consumo desenfreado de petróleo pelos humanos. Para ele, não há boas evidências de que haja uma tendência ao aquecimento. O alarme soado pelo IPCC, painel de mil cientistas ligado à ONU que prevê um aumento de até 5,8ºC na temperatura média global em 2100, não passa, na visão de Lindzen, de uma especulação política do movimento ambientalista.


O pior é que Dick sabe do que está falando. Ele é um dos meteorologistas mais competentes dos EUA, e publica seus artigos em revistas científicas de primeira linha. Suas objeções à idéia de que as emissões de gás carbônico estão aquecendo a Terra são válidas. Afinal, os modelos são incertos porque o clima do planeta é extremamente complexo.


“Concordo com todos os argumentos do Lindzen. As conclusões é que estão erradas, porque a incerteza corta dos dois lados e também pode ser usada contra ele”, diz o climatologista Steven Wofsy, da Universidade Harvard, EUA, e amigo de Lindzen.


Descrito por colegas como alguém com prazer em se opor a qualquer coisa, Dick é uma metralhadora giratória. Diz que o efeito estufa vai diminuir a freqüência de tempestades, não aumentá-la, que mitigar as emissões de gases-estufa é mais caro do que adaptar-se à mudança climática e que o argumento do IPCC é “simplesmente uma mentira”. Sua principal teoria é a de que a atmosfera possui um “efeito íris”, ou seja, compensa o aumento de calor por meio de uma maior quantidade de nuvens fazendo sombra sobre o planeta. Mas até ele admite que a idéia não passou pelo teste da experimentação. “Os dados não são tão bons quanto gostaríamos”, diz.


Contra a cratera




GIGANTESCA ERUPÇÃO TERIA COLOCADO FIM AO REINADO DOS DINOSSAUROS.


Toda criança já ouviu a história. Há 65 milhões de anos, um asteróide de 10 quilômetros de diâmetro se chocou com a Terra. O impacto carbonizou florestas e uma nuvem de pó cobriu todos os continentes. A Terra mergulhou em um inverno do qual 60% das formas de vida sairiam extintas, incluindo os grandes répteis que haviam dominado os ambientes terrestres pelos últimos 150 milhões de anos -– os dinossauros.


A paleontóloga Gerta Keller diz que lamenta, mas os livros e filmes infantis terão de mudar. Ela afirma que a extinção que marcou o fim dos dinossauros, entre os períodos Cretáceo e Terciário, não pode ter sido culpa do asteróide gigante porque, entre outros motivos, ele caiu na Terra 300 mil anos antes do evento.


“Os dinossauros estavam em declínio desde milhões de anos antes da fronteira Cretáceo-Terciário, devido a um resfriamento global", diz a pesquisadora. Para ela, um conjunto de impactos, mudanças climáticas e um grande derramamento de lava na atual Índia liqüidou os grandes répteis. Por mais que os guardiões da hipótese “oficial” digam que isso é bobagem, Keller e seus colaboradores têm feito barulho na academia. Seu último artigo foi publicado no primeiro semestre deste ano na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences, um dos principais periódicos científicos do mundo. Nascida no pequeno principado de Liechtenstein, Keller ensina geologia em Princeton, uma das principais universidades dos EUA, a mesma onde lecionava o físico Albert Einstein.


“Ela sempre foi do contra. Há alguns anos, defendia que não havia extinção em massa entre o Cretáceo e o Terciário” diz o geólogo americano Kevin Pope, que também estuda esse período. A teoria que Keller combate é uma dessas hipóteses científicas que só melhoram com o tempo. Proposta em 1980 pelo Nobel de Física Luís Alvarez e seu filho Walter, a hipótese de um impacto extraterrestre como causa da extinção dos dinos ganhou força nos anos 90, com a descoberta da cratera de Chicxulub, na península de Yucatán, México. Hoje, ela é virtualmente consenso entre os paleontólogos. “Não espero que o pessoal da linha-dura aceite as minhas evidências”, diz a cientista.


Pré-história hippie




MEU IRMÃO NEANDERTAL.


Você provavelmente se ofenderia ao ser chamado de neandertal por alguém. Mas para o antropólogo americano Milford Wolpoff, é exatamente isso o que todos nós somos: resultado do cruzamento entre neandertais e outros hominídeos ao longo de milhares de anos, em várias regiões do planeta, que acabaram produzindo a forma que se convencionou chamar Homo sapiens. Wolpoff e seus colaboradores, como o australiano Alan Thorne, dizem que não faz sentido separar as espécies em Homo erectus, Homo neanderthalensis ou Homo sapiens: todos são versões regionais do mesmo bicho, o homem anatomicamente moderno.


A visão dominante hoje na antropologia é o chamado modelo Out of Africa (algo como "fora da África"), segundo o qual o Homo sapiens surgiu num único berço, a África subsaariana, e se espalhou pelo planeta a partir de 160 mil anos atrás. No caminho, dizimou as populações de hominídeos que tinham deixado o continente africano antes, como o Homo erectus asiático, e o homem de Neandertal, que evoluíra separadamente na Europa. Essa idéia tem sido reafirmada por estudos genéticos, que conseguiram extrair DNA de fósseis de neandertal e compará-lo ao de humanos atuais, mostrando que as diferenças são grandes demais para que eles possam ser considerados de uma mesma espécie. Estudos em fósseis de crianças neandertais também mostram que ele tinha um padrão de desenvolvimento completamente diferente daquele do Homo sapiens atual.


No entanto, para Wolpoff, o mundo pré-histórico era muito mais de amor do que de guerra. A colonização do planeta teria envolvido idas e vindas, não apenas uma migração em apenas um sentido. Nesses passeios, as várias populações humanas se cruzaram e trocaram genes, num liqüidificador sexual que resultou em uma espécie homogênea. “Eu ganhei um monte de dinheiro para estudar a evolução da mastigação em todos os hominídeos. De 1976 a 1980, tive oportunidade de ver cada fóssil e estudá-los – não apenas passar por eles, como a maioria dos meus colegas. Aí comecei a me dar conta de que a evolução humana não tinha acontecido em uma série de estágios, como eu pensava, mas que ela tinha sido diferente em cada região”, diz Wolpoff.


O diabo está na confirmação. Para o americano, ela não pode ser feita com as ferramentas genéticas existentes hoje. Seria preciso usar o DNA que se esconde no núcleo das células, “e isso é praticamente impossível de se obter de um fóssil”, afirma Wolpoff . “Se quisermos saber se os neandertais são ancestrais de pessoas vivas, o melhor jeito é procurar características de neandertal em pessoas vivas.” Você viu algum por aí?


A terra é um balão




UM PLANETA EM EXPANSÃO.


Quando o alemão Richard Wegener afirmou, em 1912, que os continentes flutuavam como jangadas à deriva, todo mundo riu dele. Wegener foi vingado nos anos 60, quando uma série de pesquisas geológicas mostrou que a crosta terrestre é composta de placas que realmente flutuam, se afastam e se chocam umas contra as outras, produzindo montanhas, vulcões e moldando a Terra como ela é.


A teoria da tectônica de placas é, com o perdão do trocadilho, sólida como rocha. Virou o bê-a-bá da geologia e da geofísica modernas. E, é claro, atraiu detratores. O mais célebre deles foi o australiano Samuel Warren Carey, um dos ideólogos, juntamente com o britânico Hugh Owen, da teoria da Terra em expansão.


Carey, geólogo da Universidade da Tasmânia morto em 2002, e Owen, estratígrafo aposentado do Mu-seu Britânico de História Natural, em Londres, afirmam que os dinossauros andaram sobre um planeta 80% menor do que a Terra atual. A principal evidência disso seria o fato de que, se tentássemos juntar a Áfri-ca e a América do Sul num modelo esférico, rebobinando a deriva continental, eles não se encaixariam. Sobrariam “buracos” no globo.


Owen resolveu esse problema geométrico afirmando, em 1983, que a Terra se expande continuamente, idéia que os geofísicos consideram absurda. Para a maioria deles, o leito oceânico é reciclado o tempo todo. O que acontece é que as placas que estão no fundo do Atlântico estão se afastando, o que aumenta a área do fundo do mar. Para compensar esse movimento, a massa de terra que compõe as Américas avança sobre a placa oceânica do Pacífico. Esse movimento alimenta os vulcões nos Andes e causa a subducção – o afundamento e derretimento – da placa do pacífico.


Em entrevista à Sapiens, Owen confessa não ver “nada de errado” com a tectônica. Para ele, a expansão é lenta o suficiente para ser compatível com as idéias da maioria dos geofísicos. Já Carey se recusava a admitir a subducção e, portanto, todo o resto da teoria das placas. “Há duas escolas de pensamento sobre a Terra em expansão. A chamada expansão rápida, defendida por Sam Carey e outros, não funciona. Ela traz problemas geométricos”, diz Owen.


Aos 71 anos, Owen afirma não ter tido muitos artigos rejeitados para publicação, mas reclama de preconceito na academia. “Quando você fala de ciência, algumas idéias são controversas. E há pessoas com visões muito firmes que ocupam posições altas nas instituições de pesquisa”, afirma Owen.


Kary Mullis




Idade: 60 anos


Cargo: Vive de escrever livros e dar palestras


Estilo: Inventou o PCR, uma ferramenta que revolu-cionou a genética


Polêmica: Acha que o HIV não causa a Aids


Richard S. Lindzen




Idade: 63 anos


Cargo: Titular de meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, EUA


Estilo: Casado, vive entre os EUA e a França (“Lá as pessoas fumam”).Escreve com sua mulher um livro sobre a história dos judeus de Paris


Polêmica: Acredita que o efeito estufa não existe.


“O ambientalismo é hoje o que a eugenia era no começo do século 20”


Gerta Keller




Idade: 59 anos


Cargo: Professora da Universidade de Princeton, EUA


Estilo: Publica artigos nas principais revistas científicas do mundo. Atualmente, viaja pelas Américas recolhendo rochas para comprovar sua hipótese. Planeja vir ao Brasil.


Polêmica: Acredita que o impacto de um asteróide não foi a causa da extinção dos dinossauros.


“O conto da cratera da destruição é muito apelativo e imaginativo. Cientistas muito eloqüentes têm promovido essa história, a imprensa adorou, a indústria cinematográfica adorou, todo mundo adorou”


Milford Wolpoff




Idade: 62 anos


Cargo: Professor da Universidade do Michigan, EUA.


Estilo: Casado, pai de dois filhos “que adoram cantar e dançar enquanto eu estou ao telefone”


Polêmica: Primeiro cientista a propor um modelo em que a origem do homem moderno está no cruzamento entre Homo erectus, neandertais e Homo sapiens


“A ciência é uma atividade humana. Há quem revise artigos não com base no mérito, mas sim pelo gosto pessoal. e revistas científicas rejeitam textos quando não gostam da conclusão”


Warren Carey




Idade: Morto em 2002, aos 91 anos


Cargo: Era professor de geologia da Universidade da Tasmânia


Estilo: Deixou mulher, quatro filhos, sete netos e dois bisnetos


Polêmica: Propôs, junto ao britânico Hugh Owen, a teoria da Terra em expansão, segundo a qual o diâmetro do planeta hoje é 80% maior que há 200 milhões de anos


“Não sou mais um rebelde. As pessoas agora acreditam na minha teoria. Ou pelo menos vão acreditar um dia. Demora um tempo para que alguns consigam acompanhar essas coisas”

VOCÊ QUER SABER MAIS?


Saiki, R. K., D. H. Gelfand, S. Stoffel, S. J. Scharf, R. Higuchi, G. T. Horn, K. B. Mullis, and H. A. Erlich. "Primer-Directed Enzymatic Amplification of DNA with a Thermostable DNA Polymerase." Science 239 (1988): 487-491


The Expanding Earth, 448 pp., Elsevier, Amsterdam 1976


Theories of the Earth and Universe, 206 pp., Stanford University Press. 1988


Earth Universe Cosmos - University of Tasmania. 1996


MILFORD WOLPOFF and ALAN THORNE; The case against Eve: Where did we originate? Some reserachers think that all modern humans evolved from a single African women. The testimony of fossils suggests otherwise; New Scientist magazine, 22 June 1991, page 37 -


G. Keller (2005), Impacts, volcanism and mass extinction: random coincidence or cause and effect? (Impacto de asteróide, vulcanismo e extinções em massa: coinscidência ou causa e efeito?), Australian Journal of Earth Sciences, v. 52, p. 725 - 757.


Robock, Alan, and Clive Oppenheimer, Eds., 2003: Volcanism and the Earth’s Atmosphere, Geophysical Monograph 139, American Geophysical Union, Washington, DC, 360 pp

http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal


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Plínio Salgado.