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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Joseph Stalin: o "Tio Joe" da Rússia. Parte I.



 Iosif Stalin. Imagem: V. Oreshnikov.

Quando durante a Segunda Grande Guerra Mundial os Estados Unidos se virão obrigados a unir forças com um inimigo em potencial, tiveram que usar sua máquina de propaganda para conseguirem criar uma "simpatia" por parte do povo com a União Soviética e seu líder Joseph Stalin. Nesse texto trago alguns detalhes que ajudaram meus leitores a compreenderem melhor essa estranha aliança e a origem da personalidade de Stalin ou melhor "Tio Joe".

A máquina de propaganda militar dos Estados Unidos passou a se referir a Stalin como o “tio Joe” da Rússia para tornar mais palatável para o povo norte-americano a aliança que Roosevelt e Churchill fizeram com ele para lutar contra Hitler. Joe Colquhoun (1883-1946), o tio Joe original, foi um general norte-americano que comandou as forças aliadas na China, na Birmânia e na Índia durante a Segunda Guerra Mundial.

O terror, a traição, o assassinato, a morte e a destruição eram corriqueiros no governo de Stalin na União Soviética. Além de exercer a autoridade máxima da segunda nação mais poderosa do mundo e além de matar mais gente que Hitler, viveu até 74 anos. Era um homem que havia levado a União Soviética à vitória contra Adolf Hitler e a Alemanha Nazista, era um homem que tinha arrancado o país de uma economia rural para transformá-lo numa nação industrializada.

Mesmo diante de todos os fatos que ao comando de Stalin levaram a União Soviética ao auge socioeconômico, ele ainda era um déspota brutal que chegou a reescrever livros de história e a adulterar fotografias para eliminar todo e qualquer vestígio daqueles que ousavam opor-se a ele.


Joseph Stalin em meados dos anos 1950. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Seu nome de batismo é IOSIF VISSARONOVITCH DJUGACHVILI, nasceu em 21 de dezembro de 1879 na cidade de Gori na Geórgia, no Sul da Rússia. Seu pai, VISSARION DJUGACHVILI, era sapateiro e devido à falta de sucesso na carreira se entregou ao alcoolismo. Sua mãe se chamava IEKATERINA DJUGACHVILI, trabalhava lavando e costurando para fora para ajudar em casa. Iekaterina sofria com o marido alcoólatra que a espancava regularmente, acontecimentos que não passavam despercebidos do jovem Iosif. Era uma vida precária que foi agravada pelas doenças que Iosif teve na infância:

* Varíola.

* Septicemia.

Iekaterina não tinha muito mais com que contar além das crenças religiosas para superar os tempos ruins.

* 1888 – Iosif foi matriculado na escola Ortodoxa em Gori.

*1894 – Ganhou uma bolsa de estudos para o seminário teológico ortodoxo em Ibilissi.

Foi na época que ele frequentava o seminário teológico ortodoxo que Iosif começou a se interessar por política. No quarto ano, entrou para um grupo radical chamado Mesame Dasi, que lutava pela independência da Geórgia e seguia a doutrina socialista. Devido a suas atividades nesse grupo e para desgosto da mãe Iosif foi expulso do seminário.

*1899 – Trabalha como escriturário.

*1901 – Entra para o Partido Socialdemocrata da Geórgia. Nessa época, Iosif começou a ser chamado pelo apelido de “KOBA” (INDOMÁVEL), uma referencia a um herói popular georgiano.

*1904 – Case-se com uma jovem camponesa chamada Iekaterina Svanidze. Infelizmente, a união foi breve, pois Ikaterina morreu três anos depois, deixando um filho, IÁKOV, para Stalin criar.

*1912 – Lênin, nomeia Stalin um de seus líderes para importante trabalho de propaganda clandestina. Nesse mesmo ano Stalin funda o jornal PRAVDA em São Petersburgo.

*1913 - Adota a alcunha predileta, STALIN, que significa “HOMEM DE AÇO”.

*1917 – Stalin é eleito como um dos 9 membros do Comitê Central do Partido.

*1919 – Nesse ano Stalin, entra para o POLITBURO e assume a direção do ORGBURO (Órgão com a tarefa de escolher e nomear membros para o partido). Casou pela segunda vez, agora com Nadejda Alilúieva. Ao fim do mesmo ano Nadejda deu a luz a um menino, Vassíli.


Stalin. Imagem: Pavel Filonov.

O bolchevismo, que tinha adotado uma forma de organização centralizada e extremamente disciplinada, atraiu Stalin, que o reconheceu como o caminho que o levaria ao poder. Muitos historiadores afirmam que  foi muito mais sua capacidade de organização e sua obsessão pelo detalhe, mais que seu brilho intelectual, que o aproximaram de Lênin.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O que os nazistas copiaram de Marx


Karl Marx com a mascará de Hitler. Imagem:MISES.

O marxismo afirma que a forma de pensar de uma pessoa é determinada pela classe a que pertence.  Toda classe social tem sua lógica própria.  Logo, o produto do pensamento de um determinado indivíduo não pode ser nada além de um "disfarce ideológico" dos interesses egoístas da classe à qual ele pertence.  A tarefa de uma "sociologia do conhecimento", segundo os marxistas, é desmascarar filosofias e teorias científicas e expor o seu vazio "ideológico".  A economia seria um expediente "burguês" e os economistas são sicofantas do capital.  Somente a sociedade sem classes da utopia socialista substituirá as mentiras "ideológicas" pela verdade.

Este polilogismo, posteriormente, assumiu várias outras formas.  O historicismo afirma que a estrutura lógica da ação e do pensamento humano está sujeita a mudanças no curso da evolução histórica. O polilogismo racial atribui a cada raça uma lógica própria.
O polilogismo, portanto, é a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais.

Os nazistas fizeram amplo uso do polilogismo.  Mas os nazistas não inventaram o polilogismo.  Eles apenas criaram seu próprio estilo de polilogismo.

Até a metade do século XIX, ninguém se atrevia a questionar o fato de que a estrutura lógica da mente era imutável e comum a todos os seres humanos.  Todas as interrelações humanas são baseadas nesta premissa de que há uma estrutura lógica uniforme.  Podemos dialogar uns com os outros apenas porque podemos recorrer a algo em comum a todos nós: a estrutura lógica da razão.

Alguns homens têm a capacidade de pensar de forma mais profunda e refinada do que outros.  Há homens que infelizmente não conseguem compreender um processo de inferência em cadeias lógicas de pensamento dedutivo.  Mas, considerando-se que um homem seja capaz de pensar e trilhar um processo de pensamento discursivo, ele sempre aderirá aos mesmos princípios fundamentais de raciocínio que são utilizados por todos os outros homens.  Há pessoas que não conseguem contar além de três; mas sua contagem, até onde ele consegue ir, não difere da contagem de Gauss ou de Laplace. Nenhum historiador ou viajante jamais nos trouxe nenhuma informação sobre povos para quem A e não-A fossem idênticos, ou sobre povos que não conseguissem perceber a diferença entre afirmação e negação.  Diariamente, é verdade, as pessoas violam os princípios lógicos da razão. Mas qualquer um que se puser a examinar suas deduções de forma competente será capaz de descobrir seus erros.

Uma vez que todos consideram tais fatos inquestionáveis, os homens são capazes de entrar em discussões e argumentações.  Eles conversam entre si, escrevem cartas e livros, tentam provar ou refutar.  A cooperação social e intelectual entre os homens seria impossível se a realidade não fosse essa. Nossas mentes simplesmente não são capazes de imaginar um mundo povoado por homens com estruturas lógicas distintas ente si ou com estruturas lógicas diferentes da nossa.

Mesmo assim, durante o século XIX, este fato inquestionável foi contestado.  Marx e os marxistas, entre eles o "filósofo proletário" Dietzgen, ensinaram que o pensamento é determinado pela classe social do pensador.  O que o pensamento produz não é a verdade, mas apenas "ideologias".  Esta palavra significa, no contexto da filosofia marxista, um disfarce dos interesses egoístas da classe social à qual pertence o pensador.  Por conseguinte, seria inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social.  Não seria necessário refutar ideologias por meio do raciocínio discursivo; ideologias devem apenas ser desmascaradas, denunciando a classe e a origem social de seus autores. Assim, os marxistas não discutem os méritos das teorias científicas; eles simplesmente revelam a origem "burguesa" dos cientistas.

Os marxistas se refugiam no polilogismo porque não conseguem refutar com métodos lógicos as teorias desenvolvidas pela ciência econômica "burguesa"; tampouco conseguem responder às inferências derivadas destas teorias, como as que demonstram a impraticabilidade do socialismo.  Dado que não conseguiram demonstrar racionalmente a validade de suas idéias e nem a invalidade das idéias de seus adversários, eles simplesmente passaram a condenar os métodos lógicos.  O sucesso deste estratagema marxista foi sem precedentes.  Ele tornou-se uma blindagem contra qualquer crítica racional à pseudo-economia e à pseudo-sociologia marxistas. Ele fez com que todas as críticas racionais ao marxismo fossem inócuas.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

25 curiosidades sobre os índios brasileiros




Chegada de Cabral as terras indígenas que futuramente seriam chamadas pelos europeus de Brasil. Imagem: Guia dos Curiosos. 

- Os povos que habitavam as Américas foram chamados pelos europeus de índios. O termo é uma invenção europeia e provém de um “erro histórico”. Ao chegar às Américas, os europeus achavam que tinham chegado nas Índias. Assim, os povos que habitavam o continente americano foram chamados de índios.

- Quando o Brasil foi conquistado, em 1500, os historiadores calculam que existiam aqui entre 3 milhões e 5 milhões de índios, divididos em 1.400 tribos. Havia três grandes áreas de concentração: litoral, bacia do Paraguai e bacia Amazônica.

- No Brasil, muitos índios foram capturados e escravizados. Os colonos diziam que os índios não eram gente, mas animais. Quando os padres jesuítas chegaram ao Brasil, começaram a reverter esse quadro. Em 1537, a bula Veritas Ipsa, editada pelo papa Paulo III, declarou que os índios eram “verdadeiros seres humanos”.

- As doenças trazidas pelos europeus causou a morte de vários habitantes da terra. Os indígenas não resistiam ao sarampo, varíola e gripe. Entre 1562 e 1563, cerca de 60 mil índios morreram por causa de duas epidemias de “peste de bexiga” (tipo de varíola).

- Atualmente, calcula-se que 400 mil índios ocupam o território brasileiro, divididos em 200 etnias e 170 línguas. Vale ressaltar que este cálculo considera apenas os indígenas que vivem em aldeias. Há estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas.


Índios Xerente. Imagem: Guia dos Estudantes.

-  O grão de guaraná lembra muito a figura de um olho humano. Isso deu margem a uma lenda espalhada pelos índios saterê-maué. A índia Unai teria tido um filho concebido por uma serpente e morto pelas flechadas de um macaco. No local em que ele foi enterrado, teriam nascido as primeiras plantas de guaraná.

- Os índios Xerente realizam um ritual para batizar suas crianças, chamado Uaké. Nele, a molecada participa de uma dança em círculo enquanto recebe seus nomes, que depois são anunciados de porta em porta.

- Em 2004, foram realizados os Jogos Indígenas do Pará. 500 índios de 14 tribos participaram do evento, que teve competições de arco-e-flecha, cabo-de-guerra, arremesso de lança, lutas corporais, natação, canoagem, corrida de toras, maratona e atletismo.

- O Parque Nacional do Xingu é uma das maiores áreas indígenas da América Latina, com 26 mil quilômetros quadrados (quase o tamanho do Estado de Alagoas). Criado em 1961 para garantir melhores condições de vida e a posse da terra à população indígena local, abriga hoje 4 mil índios de 15 grupos diferentes.

- Os índios brasileiros adoram carne de macaco, considerada um prato muito especial. Quanto mais novo o macaco for abatido, mais macia é a carne. Os miolos são retirados e misturados a um molho ou pão. Os cérebros são ricos em gordura e proteína.


Índios do dialeto tupimanbá. Imagem: Guia dos Estudantes.

- O tupi era uma das 1.200 línguas indígenas identificadas no Brasil no ano de 1500. Até meados do século 18, tratava-se do idioma mais falado no território brasileiro. Cerca de 20 mil palavras do atual vocabulário, como amendoim, caipira, moqueca, taturana e pipoca, derivaram dele.

- Quando Cabral chegou ao Brasil, a língua era falada numa faixa de 4 mil quilômetros, do norte do Ceará ao sul de São Paulo. O que predominava era o dialeto tupinambá, um dos cinco grandes grupos tupis. Os outros eram: tupiniquins, caetés, potiguaras e tamoios.

- Os bandeirantes se comunicavam em tupi. É por isso que tantos estados, municípios e rios têm nomes de origem indígena. Neste sentido, Paraná é “mar”; Pará é “rio”; Piauí é “rio de piaus” (um tipo de peixe); Sergipe é “no rio do siri”; Curitiba é “muito pinhão”; Pernambuco é “mar com fendas”, entre outros.

- Hoje restam 177 línguas indígenas. O antigo tupi foi uma das que desapareceram completamente. Em 1758, o marquês de Pombal, interessado em acabar com o poder da Companhia de Jesus no Brasil e em aumentar o domínio da metrópole portuguesa sobre a colônia, proibiu o ensino e o uso do tupi.

- Em 1955, o presidente Café Filho obrigou todas as faculdades de letras a incluir um curso de tupi no currículo.


Cerimônias indígenas. Imagem: Guia dos Estudantes.

- Em 1910, o Marechal Rondon criou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio). Os indígenas passaram a ter direito à posse da terra e seus costumes eram respeitados. A entidade foi substituída pela Funai (Fundação Nacional do Índio). O órgão federal que cuida hoje das nações indígenas foi criado em 5 de dezembro de 1967.

- Existem aproximadamente 200 grupos indígenas identificados. Mas os dez mais numerosos representam 43% de todo o contingente indígena brasileiro, que reúne 325.652 indivíduos. A maior parte (89.529) mora na Amazônia.
- A Funai calcula que, além das tribos já conhecidas, há em torno de 55 grupos totalmente isolados, todos em áreas remotas da Amazônia. Em junho de 1998, na divisa do Brasil com o Peru, uma equipe da Funai vislumbrou entre a copa das árvores doze malocas de uma tribo indígena até então completamente desconhecida.

- A Amazônia é a última região do planeta onde ainda vivem grupos humanos desconhecidos. Vivem em estágio bastante primitivo, caçando, pescando e, em alguns casos, cultivando pequenas roças. Essas tribos recebem da Funai a vaga denominação de “índios isolados”.

- Pelo Código Civil, o índio não tem direito à propriedade da terra das reservas. Ele tem a posse e o direito de usar o que nela existir (água, flora, fauna e minérios).


Ritual de canibalismo. Imagem: Guia dos Estudantes.

- Canibalismo ou antropofagia consiste no ato de comer a carne de seres da mesma espécie. O termo vem da língua arawan, falada por uma tribo indígena da América do Sul. A prática, conforme afirmam estudiosos e arqueólogos, era comum em comunidades primitivas ao redor do mundo.
- Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, havia no país diversas tribos de índios canibais. Entre elas estavam os tupinambá, os potiguares, os caetés, os aimorés, os goitacás e os tamoios. Eles devoravam seus inimigos por vingança e acreditavam que, comendo seu corpo, adquiriam seu poder.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

As duas faces de Satanás



Soldados de Deus contra o Comunismo Internacional. Imagem: Leandro Claudir.

Plínio Salgado

“Satanás é o comunista que assassina e massacra. E Satanás é também o homem rico e feliz que nada faz para evitar a morte de multidões de pobres, mal alimentados e desamparados de qualquer conforto físico ou espiritual.”


S

“Satanás apoderou-se de vós, burgueses, como se apoderou de muitos proletários.”


S S S

O comunismo não é uma causa: é um sintoma. O mal não é o comunismo em si, porém as causas que geram o comunismo.

 O comunismo, por consequência, não se acaba com violências, com opressões e fuzilamentos; acaba-se com a extinção das fontes de onde provém.

É preciso encararmos o comunismo sob os dois aspectos pelos quais ele se apresenta: o intelectual e o moral.

Sob o ponto de vista intelectual, o comunismo só pode ser combatido, eficientemente, pela crítica, pelas ideias, no livro, na tribuna, na imprensa. Sob o ponto de vista moral, o comunismo só pode ser combatido pelas medidas que melhorem as condições de existência do povo e pelos exemplos de virtude.

Tanto o estado de espírito do intelectual como o estado de espírito do inculto, porém, sentimental, só podem ser substituídos por uma nova concepção da vida.

Será, porém, inútil, tanto a ação do pensamento como a ação do sentimento, se ela não for prestigiada pelo exemplo.

Estancar as fontes geradoras do comunismo - eis o nosso trabalho.

Onde estão as fontes do comunismo?

No materialismo burguês.

Com que autoridade um materialista pode declarar-se inimigo do comunismo?

Sua atitude reacionária só consegue irritar ainda mais os humildes, os infelizes, os pobres. Seu ódio anima o ódio dos contaminados pelo bolchevismo. Seus impulsos violentos não fazem mais do que acender mais ao vivo as cóleras da multidão.

É muito comum hoje em dia escutar-se um burguês dizer: “Qual nada! O que o Governo devia fazer era fuzilar logo esses comunistas!”.

A gente olha para o burguês. Está bem vestido, com o charuto na boca, acaba de descer o elevador do Jockey Club, onde levou duas horas almoçando num restaurante elegante. É casado. Daqui a pouco, vai ter um encontro com uma mulher que não é a sua, no “hall” do Palace. Esta manhã esteve na praia, seminu - dando pasto aos olhos nas arredondadas formas das frineias familiares que, por sua vez, não perdem a Missa, mas acham natural o nudismo -, fazendo conquistas baratas. O burguês tem uma renda farta. Vive à tripa forra. Sabe de numerosos casos de adultérios e conquistas, e distrai-se também no esporte dos galanteios reles. E tem muita raiva aos comunistas. “Oh!” – exclama horrorizado – “O Governo devia fuzilar essa caterva!”.

Nosso homem vota um desprezo profundo pelos humildes. Essa gente, para ele, não passa de animais que cheiram a cebola e a suor. Grita com os inferiores, maltrata os que estão por baixo de sua imensa categoria. Detesta o convívio dos homenzinhos, da gentinha, dos estudantes pobres, dos caixeiros, dos suados operários e camponeses, do soldado heroico que, afinal, mantém a ordem em que o burguês floresce, daqueles que guardam a sua casa, como cães de fila. Caçoa do brasileiro do sertão, que trabalha para sustentar o luxo das capitais. E, quando esse nédio burguês ouve falar em comunismo, logo diz: “Basta a polícia! É meter-lhes as patas de cavalo, é varrê-los a metralhadora”.

Não: O comunismo não se combate assim. O burguês está enganado. Já se enganou desse modo na Espanha; está se enganado na França, como está se enganando no Brasil.

O comunismo é apenas um sintoma do materialismo grosseiro de que o burguês é a fonte originária.

O operário não quer mais acreditar em Deus? Mas quem foi que ensinou o operário a negar a Deus? Foi o burguês. O burguês que acha muito boa a religião para os velhos, os proletários, as crianças e as mulheres.

O nédio burguês usufrutuário da ordem é ateu, não respeita a sacralidade da família, nem liga importância à ideia de Pátria. Leva uma vida de macaco, só pensando em prazeres, com o nariz a cheirar rabos de saia. As suas preocupações dominantes são o alfaiate, a garçonnière, o clube, o pano verde, a esperteza nos negócios, as paixões criminosas.

Convém, para ele, que o operário seja religioso porque assim não incomoda com rebeliões e desesperos. Convém que a esposa também o seja, porque assim se conforma com as suas ridículas atitudes de galo velho ou leão da Avenida. Convém que as crianças também o sejam, para não darem trabalho com desobediências.

É assim o burguês. Para ele a Pátria é uma coisa boa, porque a Pátria para ele não são os milhões de Brasileiros que sofrem, de compatriotas solidários na comunidade das tradições e aspirações nacionais, porém, os soldados que lhe vigiam a casa, os policiais, os agentes de segurança, investigadores e metralhadoras, que fazem o sono tranquilo na doçura dos lençóis de cambraia. Isso é que é a Pátria, a Nação, para ele. Ele não serve a Pátria, é a Pátria quem o serve. A Nação é um guarda-noturno que lhe lambe as gorjetas pela via dos impostos para as festas a bandeiradas, com hinos e salvas de peça. Não a defende, pois. Deixa essa incumbência ao Exército, à Polícia, ao Governo. “Para isso pago os impostos”, diz – e não dá um passo.

No íntimo, o burguês materialista está convencido de que o Governo e as Forças Armadas existem para que ele, em plena segurança, possa conquistar e desonrar a filha do operário; possa mudar de mulher como quem troca de camisa; possa refestelar-se no seu pijama de seda; possa atropelar com seu automóvel o mísero velhinho ou a inocente criança que tiveram a petulância de atravessar em frente da sua máquina possante e reluzente. Mas, se abre a boca para expender ideias, esse miserável tipo do século XX propõe sempre o combate ao comunismo. Lá no fundo de seu coração empedernido, ele pensa que o Governo, o Chefe de Polícia, os militares, os camisas verdes, devem ser seus capangas, seus criados dóceis.

Estão muito enganados, os burgueses. O que nós, Integralistas, combatemos, em primeiro lugar, combatemos, é o materialismo, o sensualismo, a grosseria dos sentimentos, o domínio dos instintos. Sem combater isso, como conseguiremos combater o comunismo?

Pois se o operário olha para o burguês e vê que ele, em todas as suas atitudes, proclama que a vida do homem acaba neste mundo; e se o burguês – para o operário – é o homem que sabe, que leu, que estudou; e se é com ele que o operário aprende, - é lógico que o operário fique sendo materialista, e deseje também ser um bruto, um gozador, e como não tem recursos adere a uma doutrina que lhe diz: “O céu e o inferno são aqui mesmo, tratemos pois de gozar a vida!”

quarta-feira, 17 de abril de 2013

As diversas faces do coronelismo e suas inter-relações.



Na foto Cel. Victor Dumoncel Filho na Revolução de 1923. Imagem: AVD/SB.

O objetivo de Claudio Pereira Elmir com esse trabalho é descrever as relações coronelistas no Rio Grande do Sul, mais especificamente no Planalto Central e na Serra. Essa descrição é feita através da leitura das correspondências privadas do Coronel Victor Dumoncel Filho, recebeu entre 1930 e 1935.

O autor procurou se ocupar em um nível menos abrangente da ação política em termos geográficos, mas que possam revelar a intensidade do exercício da autoridade pessoal do Coronel com a clientela (subordinados, dependentes e agregados).

Dentre outras o autor procura analisar as relações entre o poder local e o poder estadual. Dando contornos ao poder político como aquele que deve ser visto como um espaço alargado no qual a intervenção do historiador em pesquisa deva se posicionar no sentido de multiplicar as abordagens possíveis. Mostrando-nos que a “História Política” pode ser vista num universo mais flexível de significados mais amplos.

Vemos no decorrer do texto que o autor procura mostrar que o que efetivamente garante a legitimidade da pesquisa é o tipo de pergunta a ser feita e a resposta a ser dada e isto está relacionado com a documentação manuseada. Realizando uma leitura critica das 67 cartas, que são as fontes para uma discussão teórica que contemple minimamente os conceitos na prática coronelista em análise.

Procurando sempre levar em conta a relação entre o público e o privado o autor procura não distinguir de maneira absoluta a percepção das relações sociais em visa do poder, mas sim em quem está envolvido e que papeis assumem nesse jogo político no sentido de cidadãos, pessoas ou indivíduos? Pois, o que distingue a ação conjunta política do clientelismo?

As noções de “poder simbólico” e “capital simbólico” é uma possibilidade de compreendermos a relação de poder estabelecida entre o Coronel e seus agregados segundo Pierre Bourdieu em sua obra “O Poder Simbólico” e “Coisas Ditas”. O autor tenta elucidar esses conceitos apartir dos trabalhos de Pierre Bourdieu. Não se dispondo a resolver as questões, mas senão a fazê-las urgentes de compreensão e tangíveis de participar do debate teórico.

Vemos nas palavras do autor que não é correto analisar a relação que se estabelece entre o coronel e seus dependentes apenas como uma relação vertical de dominação. Não imputando aos agentes em questão a nossa visão de entendimento do coronelismo como iguais as dos protagonistas da experiência. Existem várias formas de percebermos o Coronel e seu papel através da leitura que seus subordinados faziam de sua vivência e relações com o Coronel, aonde não podemos reduzir à expressão “troca de favores”, pois esta uniformiza em um único termo uma grande serie de situações.


Coronel Antônio Soares de Barros. Segundo Intendente de Ijuí. Imagem: AVD/SB.

Neste sentido o autor nos mostra que Pierre Bourdieu afirma que os agentes se autoclassificam, se expõem a classificação que covêm a sua posição. A percepção que o dependente do Coronel faz de si próprio um elemento que contribui para a constituição da sua sujeição, ao menos no nível do discurso. Ao mesmo tempo em que o perfil do Coronel é construído pelo dependente. A diferença entre si e do outro (Coronel e dependente) não precede da própria estrutura econômico-social na qual ambos estão inseridos. O Coronel pertence à elite estancieira de modo que concorra fortemente para que o dependente se perceba como um despossuído das virtudes que distinguem o Coronel.

Vemos ainda nas palavras do autor que a ordem social não se legitima apenas pela imposição, mas também pela aprovação por meio do silêncio dos que não a contestam. Estabelecendo o Coronel relações não só objetivas, mas também simbólicas; sendo estas, muito mais fundadas no nível pessoal e imaginário dos próprios dependentes, deslocando da ênfase do plano público para o privado, como ocorria com o Coronel Victor no Conselho Municipal de Cruz Alta que se assentava em seu poder econômico de grande estancieiro da região.

Nas palavras de Pierre Bourdieu o autor destaca que primeiro lugar “O Poder Simbólico” está fundado na posse do capital simbólico, pois este poder de impor está relacionado à autoridade social adquirida nas lutas anteriores. E em segundo lugar a eficácia simbólica depende de quanto à visão proposta esta alicerçada na realidade. O “Capital Simbólico” é um crédito acumulado do estoque de autoridade legitimada que faz a ação não parecer arbitraria. Mas nas palavras de Pierre Bourdieu, segundo o autor o poder simbólico é fruto de uma crença, de um reconhecimento tácito que não exige necessariamente a consagração oficial.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um estudo sobre o martírio de Integralistas.



Retrato dos 03 primeiro mártires da Acção Integralista Brasileira, Luiz Schroeder, Caetano Spinelli e Nicole Rosica . Imagem: Fonte: Revista Anauê!, n°. 02 , p.09, ano 1935.

Os primeiros mártires integralistas

O primeiro Mártires da Acção Integralista Brasileira era da cidade de Bauru - SP. O heroico camisa-verde tombou no dia 03 de outubro de 1934 após receber uma bala direcionada ao Chefe Nacional Plínio Salgado. Seus restos mortais, quanto ao monumento em sua homenagem, permanecem no Cemitério da cidade, inspirando os Integralistas da nova geração.

Da mesma forma que os outros rituais, as informações sobre as mortes de militantes em confrontos de rua também ocuparam um espaço privilegiado nos órgãos da imprensa integralista. Essa espécie de luto político que envolvia todo o conjunto do partido estava prevista nos "Protocolos Integralistas", pois todos os detalhes que envolviam o velório dos "camisas-verdes" estavam meticulosamente previstos.

Na verdade, a preocupação com os rituais que envolviam os mortos tinha um objetivo claro: deixar claro aos membros à morte como mártires desses milicianos da AIB. No que tange aos rituais fúnebres, os "Protocolos" apresentavam uma série de procedimentos que deveriam ser adotados, como, por exemplo, o caixão ser coberto pela bandeira do partido.[28] Haveria um momento em que um dirigente solicitaria um minuto de silêncio das pessoas presentes.

Na sequência, era realizada a chamada do nome do falecido. Os companheiros deveriam responder, ao mesmo tempo, "Presente!" O próximo passo era um dos mais interessantes, pois o dirigente que comandasse os trabalhos deveria proferir as seguintes palavras: "No integralismo não se morre! Quem entrou nesse movimento imortalizou-se no coração dos camisas-verdes".[29].

A ideia de imortalidade estava intimamente ligada aos casos de falecimento dos militantes. Ou seja: ao morrer, o integralista continuaria servindo ao movimento, só que, agora, com algumas peculiaridades: o espaço de organização no post mortem seria a chamada Milícia do Além. Seu comandante será Deus.

Se considerarmos que a maioria dos militantes era composta por católicos, podemos afirmar que essas liturgias tinham a finalidade de reforçar a fidelidade à causa, sobretudo através da insistência em destacar o papel daqueles que sacrificaram suas vidas pelo movimento.
Todo o esforço em publicar matérias na imprensa sobre os velórios, sepultamentos e homenagens visava algo como uma sacralização e uma demonstração de amor que mártir tinha pelo movimento.[30] A intenção clara do movimento era cristalizar - entre os membros do partido e, sobretudo, no público externo - uma imagem positiva em relação àqueles considerados mártires.

Essa intenção ficava clara ao observar que imagens de militantes mortos e feridos em combates de rua ocupavam os mesmos espaços nas publicações da AIB que cenas de desfiles, casamentos, sessões solenes e atividades de caráter social. As cenas de caixões, velórios, cadáveres e sepulturas eram divulgadas sem cortes ou censura pelos órgãos da imprensa verde. Os integralistas chegaram a compor um panteão de mártires.

Relação dos mártires Integralistas. Imagem: Monitor Integralista. Ano V. Vol. 22. 7/10/1937. p.3. 

Os conflitos que geraram os primeiros mártires integralistas ocorreram apenas em 1934, quando a organização estava prestes a completar dois anos de fundação. Uma explicação pode ser o fato de que somente a partir dessa data a AIB alcançou um nível de organização e um número de filiados que passou a incomodar seus opositores.

Outro ponto a se destacar é que o número de mortos cresceu com o passar dos anos: 1934, três; 1935, quatro; 1936, seis; e, 1937, sete. O crescimento do número de filiados e núcleos organizados foi acompanhando por uma escalada na quantidade de vítimas fatais. É importante destacar que 1937 - ano da campanha presidencial - foi o ano que registrou mais casos de falecimentos em combates de rua.

Militantes de quase todas as regiões do País tiveram o privilégio de compor o panteão de mártires. A diversidade regional dos integralistas que partiram como heróis para a "Milícia do Além" também serviu para reforçar o caráter nacional do partido. Isso porque não interessava se o mártir era do Norte ou do Sul. Todos passaram a ser reverenciados igualmente na imprensa integralista.

Essa prática já ficou perceptível no caso do primeiro militante morto em um combate quando atacado por comunistas opositores ferrenhos da AIB. O papel de primeiro mártir dos "camisas-verdes" pertence ao militante Nicola Rosica, [31] do Núcleo Municipal de Bauru, que morreu em 3 de outubro de 1934, vitima de um disparo de arma de fogo durante um conflito envolvendo militantes do movimento comunista da cidade. Poucos dias depois, a imagem do velório do militante circulou nacionalmente através do jornal oficial dos "soldados de Deus".

Na edição do jornal, pode-se observar que os militantes de Bauru seguiram todas as orientações dos "Protocolos Integralistas", pois as bandeiras do Brasil e da AIB cobriam parte do caixão.[32] Poucos dias depois, um conflito de proporções muito maiores voltou a ocupar as manchetes do jornal da AIB. Os trágicos resultados da chamada "Batalha da Praça da Sé" atraíram também a atenção da imprensa nacional, principalmente por conta do saldo final de cinco vítimas fatais.

O conflito envolveu integralistas que pretendiam realizar um desfile na região central de São Paulo e forças comunista que se mobilizaram para impedir a manifestação.[33] A escalada da violência e o aumento do número de mortos geraram muitas manchetes e fotografias nos jornais integralistas.

A imprensa verde reservou espaços generosos em suas publicações, não sobrando imagens de mortos, feridos e manchetes de natureza anticomunista. Os detalhes do desfile, do conflito, dos atos heroicos dos militantes da AIB e a relação dos mortos e feridos no conflito estiveram nas primeiras páginas do jornal A Offensiva.

O conflito da Praça da Sé marcou profundamente a trajetória dos integralistas. Foi algo como um batismo de sangue. Todos os personagens e fatos ligados à data de 7 de outubro de 1934 assumiram um teor sacro entre os militantes. O culto aos mártires que tombaram nesse enfrentamento de rua repercutiu por anos no interior do partido e gerou um conjunto de homenagens registradas em cartazes, reportagens especiais, fotografias e muitos nomes de escolas.[34].

Constantemente, as imagens e referências aos militantes que tombaram em conflitos de rua retornavam à imprensa da AIB. Seus exemplos eram apresentados como verdadeiros modelos de perfeitos militantes que, apesar de estarem na "Milícia do Além", continuariam "produzindo tantas centenas de milhares de companheiros".[35].

O culto aos acontecimentos da capital paulista originou um verdadeiro padrão de comportamento no interior da AIB. Tanto que, três anos depois do conflito da Praça da Sé, ainda havia homenagens na imprensa do partido. Uma edição da revista Anauê, de 1937, trouxe uma matéria que destacou a coragem dos integralistas que enfrentaram, sem demonstrar medo, os comunistas que praticaram um ato covarde em nome da hidra de Moscou.[36].

A reportagem prossegue destacando que os militantes não mediariam esforços ou poupariam sacrifícios em sua missão: edificar uma pátria baseada nos preceitos cristãos. Afirmava que "selariam com sangue a sua fé no integralismo". A revista destacou duas fotos. A primeira mostra um integralista ferido nas pernas que estava sendo carregado por um enfermeiro e outro camisa-verde.


Foto do corpo de Alberto Sechin, morto em conforto com comunistas. Imagem: Revista Anauê, Ano II, Nº5, Pl 1, 1936.

Entre as homenagens aos mártires produzidas pela imprensa da AIB, uma das mais interessantes foi uma gravura em preto e branco. Publicada em janeiro de 1936, era assinada por A.G. Gouveia e tinha como característica principal o tom dramático. O cenário era algo como um cemitério coberto por cruzes típicas de sepulturas.[38].

Contudo, a imagem que dominava a cena era uma mulher vestindo uma mortalha negra e em posição de saudação com o braço direito estendido. Sobre a figura feminina pairavam os sobrenomes dos mártires: Falcão, Guimarães, Rosica, Schroeder, Spinelli e Sechin. Embaixo do desenho, em letras grandes, estava à palavra "presente".

Apesar de ser apenas um desenho, a intenção da publicação era evidente: transmitir a ideia de perenidade apesar da morte. Não faltaram oportunidades para a imprensa da AIB reproduzir imagens impressionantes. O assassinato do militante capixaba Alberto Sechin, por exemplo, em 1935, ocupou um espaço de destaque na galeria de imagens fúnebres dos seguidores de Plínio Salgado.[39]. 


Ilustração em homenagem aos heróis integralistas que tombaram em combate. Imagem: Revista Anauê, Ano II, n. 6, p. 36, Jan. 1936.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.