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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Exorcista Emmanuel Milingo (Ex-Arcebispo Católico Romano)


Arcebispo Milingo, 1987.

Arquidiocese de Lusaka.

Título: Arcebispo-emérito de Lusaka

Ordenação e nomeação

Ordenação presbiteral     15 de agosto de 1958

Ordenação episcopal       1 de agosto de 1969

29 de maio de 1969 até 6 de agosto de 1983

Dados pessoais

Nascimento:           Mnukwa, Rodésia do Norte em 13 de Junho de 1930 (84 anos). Dados em http://catholic-hierarchy.org

Bispos

            Emmanuel Milingo (Mnukwa, Zâmbia, 13 de junho de 1930), é um ex-arcebispo católico. É ordenado padre em 1958 e arcebispo de Lusaka em 1969. Em 1973, começa a dedicar-se às sessões de cura. Casou-se em 2001 com a médica coreana Maria Sung. O casamento realizou-se em Nova York, no Hotel Hilton, celebrado pelo reverendo Moon, fundador da Igreja da Unificação. Vários meses depois foi recebido por João Paulo II, o que propiciou seu retorno à congregação católica. Mas, reafirmou depois que Maria continuava sendo sua esposa, e começou a liderar um movimento pelos padres casados. Foi excomungado pelo Vaticano em 26 de setembro de 2006, por ter feito a ordenação como bispos de quatro sacerdotes americanos casados, que além disso eram excomungados e suas ordenações não reconhecidas pelo Vaticano. Em dezembro de 2009 perdeu seu estado clerical, continuando apenas com a obrigação de celibato.

Milingo esgota a paciência do Papa e é excomungado

            Juan Lara Cidade do Vaticano, 26 set (EFE).- O Vaticano anunciou hoje a excomunhão automática do polêmico exorcista, cantor e arcebispo emérito (aposentado) de Lusaca (Zâmbia), Emmanuel Milingo, com quem o Papa mostrou muita compreensão.

            Milingo, de 78 anos, foi excomungado "latae sententiae", ou seja automaticamente, por ter feito a ordenação como bispos de quatro sacerdotes americanos casados, que além disso eram excomungados e suas ordenações não reconhecidas pelo Vaticano.
            Desde que Milingo reapareceu em julho nos Estados Unidos levantando a bandeira do casamento de padres e assegurando que a coreana Maria Sung - com a qual se casou em 2001 e depois se separou - continua sendo sua esposa, o Vaticano segue de perto, "com preocupação", seus passos. Hoje, em comunicado, o Vaticano afirma que acompanhou com "bastante preocupação" os passos dados recentemente por Milingo, de 76 anos, com a criação de "uma nova Associação de Sacerdotes casados, semeando divisão e desconcerto entre os fiéis".

            O Vaticano informou que expoentes de diferentes níveis da Igreja tentaram "em vão" ligar para Milingo para "dissuadi-lo de continuar com suas ações, que causam escândalo, sobretudo nos fiéis que seguiram seu ministério pastoral em favor dos pobres e doentes".

            A Santa Sé acrescentou que com este último "ato público" - ou seja, a ordenação de George Augustus Stallings, de Washington; Peter Paul Brennan, de Nova York; Patrick Trujillo, de Newark (Nova Jersey) e Joseph Gouthro, de Las Vegas - tanto Milingo como os quatro sacerdotes "incorreram em a excomunhão 'latae sententiae', prevista pelo cânone 1.382 do Código de Direito Canônico".

            O artigo 1.382 estabelece que "o Bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como o que recebe dele a consagração, incorrem em excomunhão 'latae sententiae' reservada à Sede Apostólica".

            Além disso, a Santa Sé afirmou que a Igreja não reconhece estas ordenações e as que possam derivar das mesmas e afirmou que o estado canônico dos quatro bispos é o mesmo no qual se encontravam antes da ordenação. Expressando pesar, o Vaticano assinalou que tinha esperado que a mediação de pessoas próximas a Milingo tivesse dado fruto. "Infelizmente, os últimos eventos afastaram essa esperança", destacou o comunicado.

            Após conhecer a reação do Vaticano, George Augustus Stallings, disse que para Milingo a excomunhão "não vale nem o pedaço de papel na qual foi escrita", e assegurou que o ancião prelado continuará seu trabalho em favor dos sacerdotes casados e que considera as ordenações dos bispos "válidas". Segundo o "porta-voz" de Milingo, ele está disposto a discutir com o Vaticano, desde que este aceite sua proposta e lhe conceda uma prelazia pessoal, tipo a do "Opus Dei". Milingo se tornou notório por seus exorcismos, que atraíam numerosos fiéis a suas cerimônias. Também gravou discos e cantou em numerosos canais de televisão de todo o mundo. Seu nome voltou de novo às primeiras páginas dos jornais em maio de 2001, ao se casar em um hotel de Nova York com a médica coreana Maria Sung.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Fausto: a busca pelo absoluto

Drama filosófico que, ao mostrar a procura como fonte pulsante da vida, transfigura-se em odisséia do homem moderno.


 Eloá Heise

            A tragédia Fausto é, sem dúvida alguma, um dos textos que empresta a Goethe repercussão universal. Nela, pode-se dizer, o poeta expressa a experiência de toda sua existência. O próprio autor afirma em Poesia e verdade, que essa obra representa o “suma sumaruim” de sua vida. Não se pode esquecer que Goethe trabalhou durante 60 anos com esse tema : de 1772 (com seus trabalhos sobre o Urfaust – Fausto zero como ficou conhecido pela tradução encenada no Brasil) até 1832, ou seja, pouco antes de sua morte, ano em que postumamente é publicado o Fausto II. Em seu longo processo de elaboração, esse texto congrega as várias transformações pelas quais passou o poeta em sua longa vida: os vários períodos literários da época – Ilustração, Sturm und Drang, Classicismo, Romantismo -; as diversas atividades do poeta junto ao estado, no meio teatral, seus interesses científicos – botânica, mineralogia, estudo das cores -; seus estudos filosóficos – teologia, teosofia, escritos mágico-místicos -, além dos conhecimentos da mitologia antiga.

            Fausto, além de ser a obra simbólica da vida de Goethe, adquire também significado universal por materializar o mito do homem moderno, o homem que busca dar significado a sua vida, que precisa tocar o eterno e compreender o misterioso. Sob este aspecto, o mito faústico transforma-se em um “mito vivo”, um relato que confere modelo para a conduta humana.

O mito faústico e as marcas intertextuais

            A relação de Fausto como o conceito de mito, entretanto, também deve ser entendida em uma outra acepção, no sentido de fábula, de ficção, uma vez que a obra de Goethe baseia-se na lenda medieval sobre a figura histórica do doutor Fausto.

            Para entender o verdadeiro significado da figura do doutor Fausto, torna-se importante ressaltar que não se trata apenas de um charlatão que se tornou rico e famoso por ter feito um pacto com o diabo, como se propaga comumente. Cabe lembrar que o mito criado em relação a essa figura histórica – Georg (Johann)  Faust, (1480-1540) tem sua origem em uma época de crise, a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, época caracterizada por profundas mudanças, na qual conceitos até então inquestionáveis começam a ser colocados em xeque. Nesses novos tempos de inquietação, ligados a pesquisas no campo das ciências naturais e outras ciências, pode-se entender que aquele que manifesta sua descrença em relação a verdades, tidas como absolutas, é considerado um homem não temente a Deus, um pactuário do demo. Isso explica a recorrência do motivo do pacto com o diabo à época. Nesse contexto, basta lembrar de figuras contemporâneas ao doutor Fausto: Paracelsius, Nostradamus, Bacon ou Galileu que, perante os olhos da Inquisição, também teriam feito uma aliança com o demônio. Esse é o pano de fundo que serve de cenário para o aparecimento do personagem histórico, doutor Fausto, em tempos que espelham esse processo de busca por maioridade.

            Consta que esse douto levou uma vida errante, passando por várias localidades da Alemanha, o que fez que se tornasse conhecido por toda parte. Estudou magia, medicina, astrologia, alquimia, atividades que lhe permitiram trabalhar com horóscopo e fazer profecias. Unindo a capacidade de curar com a de prever o futuro, ficou famoso e conseguiu amealhar uma boa fortuna. Todas essas aptidões, por sua vez, renderam-lhe a fama de ter vendido sua alma ao diabo. Esse destino pessoal, que personifica os anseios da época ao materializar a busca daquele que quer ultrapassar os próprios limites através da especulação, dará origem à primeira versão escrita sobre as histórias de Fausto, publicada logo após a morte do Fausto histórico, em 1587, sob o título de Historia von D. Johann Fausten.

            Essa história, de autor anônimo e de cunho popular, narra, ao lado de relatos sobre o Fausto, que eram voz corrente, outras discussões de cunho teológico, astrológico, histórico, científico, provindas das mais diferentes fontes contemporâneas. Essa estrutura, sem unidade estética, acaba por refletir esse tempo de transformação, com a justaposição de crenças diabólicas medievais ao lado do novo espírito das ciências. No livro popular, com suas partes especulativas e enciclopédicas, o pacto entre Fausto e o diabo compreende um período de 24 anos. Nesse contexto, a sede insaciável do protagonista por saber é vista, antes de tudo, como um grande pecado, pois uma tal postura afastaria o homem de Deus e o aproximaria da dúvida. Esse homem incorreria no pecado da hybris, a presunção, por pretender equiparar-se a Deus. Essa história, tão ao gosto da época, conquistou enorme repercussão, atingindo 5 edições. Sabe-se que Goethe, ainda quando criança, entrou em contato com a edição de 1725, sob a forma de teatro de marionetes, apresentada em praças de mercado.

As versões de Marlowe e Lessing

Por volta de 1592, o livro popular alemão é traduzido para o inglês, originando-se daí o livro popular inglês sobre o tema Fausto. Esse livro, por sua vez, serve de material para Christopher Marlowe, o mais importante dramaturgo ao lado de Shakespeare, escrever sua peça Tragical history of doctor Faustus, editada em 1604. As encenações do texto de Marlowe, por seu turno, irão repercutir novamente na Alemanha ao serem apresentadas por teatros mambembes, em língua estrangeira, mas de forma pantomímica. Consta que Goethe conheceu as encenações da peça de Marlowe de 1768 e 1770.

            Já a partir do drama de Marlowe, começa a delinear-se uma ambivalência moral em relação a este homem impulsionado por sua sede de saber. Tem origem no dramaturgo inglês a idéia do monólogo inicial, no qual Fausto mostra toda sua infelicidade por não alcançar a plenitude do conhecimento. Enquanto no livro popular alemão há uma clara condenação da presunção do protagonista, a versão inglesa da lenda deixa transparecer uma postura dúbia. Existe a condenação, sim, mas, paralelamente, percebe-se uma admiração pela figura desse douto que, qual um Prometeu, desafia a divindade. Contudo, também na versão inglesa, o ímpeto desmesurado de Fausto conduzirá ao estabelecimento de um pacto com o diabo, selado sob a condição de viver 24 anos de prazer sem limites, decorrendo, como conseqüência, a sua condenação.

            A lenda sobre o Fausto ganha novo fôlego a partir de idéias próprias do período da Ilustração. Entre 1755 e 1775, Lessing, o grande escritor do Iluminismo alemão, desenvolve projetos de escrever uma peça sobre o Fausto. O texto não chega a se efetivar, restando apenas a montagem de fragmentos e idéias gerais  reconstituídas pela memória de amigos, dados creditados à coincidência de informações.

            Se Kant, em sua definição de Iluminismo, mostra que o lema dessa corrente filosófica é: Sapere aude - tenha a coragem de servir-te da tua própria inteligência -, então Fausto, por ousar, por ter a coragem de buscar pelo sentido da vida, não poderia ser alguém condenado à danação dos infernos. Nesse contexto iluminista, Fausto, na sua procura pela verdade através da razão, empreende uma tarefa que dignifica o homem; em outras palavras: aquele que decide fazer uso de sua qualidade intrínseca, a razão, não será condenado, mas transforma-se no preferido de Deus, o destinado à salvação.

            Goethe conhecia os planos de Lessing e as reconstituições de seu drama que podem ser detectadas, em sua essência, nas obras teatrais póstumas (Theatralischer nachlass, de 1786). Vem de Lessing a idéia de salvação que encontramos no Fausto de Goethe.

            Goethe contou, pois, com diferentes pré-textos na elaboração de suas variadas versões da tragédia: de 1772-1775, elabora o Fausto zero; em 1790, produz Fausto, um fragmento; em 1808, é publicado o Fausto I e, em 1832, o Fausto II. No rastreamento do percurso do mito faústico e das fontes que serviram de inspiração para a realização de sua obra-prima, pode-se mencionar suas impressões da infância, ao assistir nas praças dos mercados as encenações do livro popular propriamente dito, a versão inglesa, com as apresentações do Fausto de Marlowe. A esses legados de cunho literário deve-se acrescentar um fato de origem real, o processo e a execução da infanticida Margaretha Brand, ocorrido em 1771-72, tragédia que impressionou profundamente Goethe e que será ficcionalizada em sua obra através do destino de Gretchen, a mulher que se apaixona por Fausto e, ao ser abandonada por ele, em um ato de loucura, assassina o próprio filho. Dentro desse rol de marcas intertextuais cabe dar ênfase especial à idéia de salvação, esboçada inicialmente por Lessing e assumida por Goethe, que servirá de inspiração para a virada redentora no destino de seu protagonista.

A estrutura da peça

            Dentre as diversas versões mencionadas, vamos nos ater à composição do Fausto I e do Fausto II, que podem sem interpretadas como uma unidade, com uma construção própria.
            A peça inicia-se com três cenas introdutórias, três prólogos que desenvolvem, respectivamente, uma perspectiva autobiográfica, uma perspectiva poetológica e uma perspectiva metafísica.

            O primeiro prólogo, Dedicatória, não dedica a peça a ninguém, como o título faz supor, mas é uma metarreflexão, em forma de monólogo, no qual o poeta faz uma retrospectiva da história da obra. No Prólogo no teatro, que vem a seguir, há uma discussão sobre a essência e a função da obra teatral; no confronto de opiniões antagônicas, debatem-se temas pouco ortodoxos para uma peça de teatro como: produção, rentabilidade, encenação e recepção do drama. Percebe-se, pois, que esses dois prólogos iniciais não se integram no enredo dramático.

            O Prólogo no céu, no entanto, é parte do desenvolvimento da trama e representa a moldura celestial externa que contém no seu escopo a ação terrena interna. Essa moldura metafísica envolve todo o drama. Inicia-se no começo do Fausto I e encerra seu contorno no fim do Fausto II, sob forma de epílogo. A moldura celeste, formulada segundo conceitos próprios da tradição cristã e assumindo a fórmula de um mistério medieval, apresenta uma imagem do mundo e do homem. Nesse jogo universal a terra é colocada entre o céu e o inferno e o ser humano entre Deus e a diabo.

            Nesse espaço, Fausto, personificando o homem,  transforma-se em objeto de disputa entre o Senhor e Mefistófeles. O Senhor acredita que o homem é intrinsecamente bom; pode errar porque procura, mas, por fim, será conduzido à luz. Já Mefisto o vê como uma criatura mal construída, dividida entre o instinto animal e sua parte racional. A partir dessas posições contrárias, Mefisto pede permissão e aposta que conduzirá Fausto por seus caminhos. Já o Senhor, por acreditar que “o homem erra, enquanto aspira” mas “da trilha certa se acha sempre a par”, aceita a aposta. Paralelamente, o Senhor também sabe que o “humano afã tende a frouxar ligeiro” e, por isso, é necessário que o homem tenha por companheiro o diabo, que atiça e instiga, impedindo que o ser humano caia na suprema condenação, a inércia. Assim, Mefisto desempenha uma dupla função: conduz o homem por caminhos que o levarão à culpa mas, ao mesmo tempo, impede que ele esmoreça e cesse sua atividade, o motor essencial da vida.

            Fausto, portanto, é colocado em jogo como objeto demonstrativo pelo Senhor, e deve provar através de si os valores ou os desvalores da criação. O drama, como um todo, pode ser entendido como a tentativa espiritual de compreensão da totalidade do universo. Discute, de forma poética, o sentido da criação, a função do mal, o destino do homem.

            A ação interna da peça, no âmbito terreno, vai espelhar, na aposta feita entre Fausto e Mefisto, o dilema proposto no âmbito celestial, entre o Senhor e Mefistófeles. Diante do desafio que lhe propõe Fausto, Mefisto assume a tarefa de satisfazer o homem e de conduzi-lo pelas experiências do pequeno mundo (Fausto I) e do grande mundo (Fausto II). Já Fausto, na sua busca sem limites, aposta que o diabo nunca conseguirá seu intento, que ele nunca irá deitar-se em “uma cama de preguiça” e, satisfeito consigo, irá proferir as palavras que  condenariam sua alma: “permaneça (momento), tão belo que és”. Desta maneira, com a ajuda de Mefisto, Fausto percorrerá o mundo na ânsia de vivenciar toda experiência destinada à humanidade.

            A ação terrena, abarca toda a trajetória do protagonista: desde a cena Noite, (Fausto I), com a constatação da crise existencial, até a cena final Grande átrio de palácio (Fausto II), quando Fausto morre. Dentro desse grande contorno, a partir das propostas do pacto e da aposta entre Fausto e Mefisto, o protagonista irá percorrer as diversas estações na sua busca por sentido.

            Cabe mencionar que o pacto, cerne do mito faústico tradicional, tem pouca ênfase na obra de Goethe. O pacto, sugerido por Mefisto, é prontamente aceito por Fausto, pois o protagonista “não teme nem o inferno nem o diabo”. Essencial em Goethe é a aposta, desafio proposto pelo titã Fausto que, por não apresentar um vencedor de antemão, tem um caráter ativo e inconclusivo (diferente do pacto que é um acordo fechado). Coaduna-se, assim, mais com a proposta vital da obra: a ação contínua como mola propulsora da vida.

            No Fausto I podemos detectar três estações: a procura por sentido através da bebida (O porão de Auerbach), do desejo e do amor por Gretchen (cenas Rua até Cárcere) e da sensualidade desenfreada (Noite de Walpúrgis). O Fausto II também comporta mais três estações: o mundo da corte (I ato), a estação da beleza e da arte (II e III atos) e a estação do conquistador e empreendedor (IV e V atos).

Quem ganha a aposta?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Máfia chinesa: Tríades Chinesas


            O surgimento das Tríades Chinesas ocorreu devido a fatores históricos, especificamente a guerra entre os Hans e os Manchus na China. Os grupos criminosos tiveram origem em 1644 pela etnia Hans e tinham como objetivo expulsar os invasores Manchus, fundadores da dinastia Ming. Em 1760, os Hans criaram a “Sociedade do Céu e da Terra” para combater a dinastia Ming e restaurar seus valores e regras.

            A influência destas sociedades espalhou-se por toda a China e o grande contingente começou a se ramificar em pequenos grupos, entre eles a “Sociedade das Três Harmonias”. Este grupo adotou um triângulo com emblema, geralmente acompanhado por imagens de espadas ou retratos de imagens decorativas de espadas ou retratos de Guan Yu, um dos mais temidos guerreiros da China Antiga.

            Estes segmentos criminosos foram batizados de tríades pelas autoridades inglesas, em referência ao símbolo que utilizavam. Alguns historiadores apontam que estas máfias surgiram como parte de um movimento revolucionário chamado “Seita do Lótus Branco”, que teria totalizado dois milhões de membros em suas fileiras e organizado mais de 80 rebeliões.

            Em 1949, quando o Partido Comunista Chinês tomou o poder na China continental, a lei tornou-se mais rigorosa e o cerco foi fechado em torno das organizações criminais. Com a pressão do governo, a tríades migraram para Hong Kong, que ainda era uma colônia da Inglaterra. Segundo dados do governo chinês, o número de integrantes da máfia chinesa em 1950 era estimado em 300.000 membros apenas em Hong Kong.

            Um ano depois, nove grupos dividiam o poder na cidade: Rung, Tung, Chuen, Wo Hop To, 14K, Luen, Shing, Sun Yee On e Wo Shing Wo. Cada uma dessas organizações contava com base de atividades própria e sistema de hierarquia social. Após os tumultos gerados pela máfia chinesa em 1956, o governo e a polícia de Hong Kong apresentaram um plano ainda mais rigoroso de punição e repressão aos foras-da-lei, diminuindo sua atividade.

            Entre as práticas ilícitas das Tríades Chinesas está a exploração da prostituição. Estes grupos traficam mulheres do Sudeste da Ásia, da América do Sul e do Leste Europeu para a Europa Ocidental. Outras atividades que praticam são a movimentação de drogas ilícitas, contrabando de cigarros, de munições, organização de sequestros, homicídios, roubos, e jogos de azar.

            Assim como em todas as máfias, as tríades conservam seus costumes antigos, punindo os discípulos deixando-os sem comer (pão e água), queimando-os e amputando seus dedos de pés e mãos. Dentro dos grupos, existem funções e hierarquias.

            No nível 1 está o grande chefe, o “Cabeça de Dragão”, os responsáveis pelo ritual de iniciação dos novatos, “Mestres de Incenso” e os responsáveis pela pesquisa da vida do novo integrantes, “Patrulheiros do Vento”.


Máfia Albanesa: discretos e perigosos




Violência e expansão internacional marcam a máfia albanesa

            Quando se fala em máfia, países como Itália, Rússia e Japão são rapidamente lembrados por seus grandes e famosos grupos mafiosos. Poucos, porém, se lembram ou até mesmo têm conhecimento de que na pequena Albânia, no leste europeu, a máfia não é menos perigosa.

            Atuando na Europa, Estados Unidos, Ásia e Oriente Médio, a máfia albanesa está envolvida com o tráfico sexual, de armas, drogas e órgãos. A forte ligação com grupos islamicos faz com que muitos cogitem um possível tráfico de alguma arma de destruição em massa, em parceria com países árabes. Já os vínculos mantidos com as máfias italianas é uma das grandes fontes de renda dos criminosos albaneses que enviam, principalmente, mulheres e drogas ao sul da Itália.

            Os princípios da máfia albanesa, também chamada de “Bajrak” são baseados em um código de honra surgido no século XV, que regia as famílias da região. Tal código conhecido como Canon é, basicamente, sustentado por um pensamento que pode ser descrito pela máxima “palavra dada, palavra cumprida”. A prática de vinganças era legitimada pelo código, o que acabou sendo adotado pelos clãs mafiosos albaneses, que hoje são conhecidos por suas violentas vinganças que ajudam a implantar uma cultura do medo no país com cerca de 5 milhões de habitantes, e a espalhar seus domínios e barbáries a países vizinhos como Kosovo, Macedônia e Montenegro.


            A atuação da máfia fora do território albanês aumentou na década de 90, após a queda do comunismo no país. As gangues rapidamente se espalharam pela           Europa e continuaram avançando, chegando a atuar até mesmo nos Estados Unidos. Em entrevista à CNN, Chris Swecker, diretor assistente da Divisão de Investigação Criminal do FBI afirmou que os outros grupos mafiosos com os quais já havia lidado são muito mais sofisticados e menos violentos do que a máfia albanesa. De acordo com Chris, 15 das 24 famílias mafiosas que atuavam nos Estados Unidos foram presas, e diz que as 9 restantes terão o mesmo fim. Além disso, há uma investigação especial feita pelo FBI para descobrir se há algum tipo de financiamento ao terrorismo de militantes muçulmanos feito por essas organizações criminais.

            Na Europa, policiais ingleses estimam que mais de 75% dos bordéis são controlados pela máfia albanesa, assim como boa parte das casas noturnas do badalado bairro londrino Soho, movimentando mais de 15 milhões de libras por ano. Glasgow, Liverpool e Cardiff também são centros controlados, em grande parte, pela máfia albanesa. As vítimas do tráfico sexual, geralmente mulheres vindas do Leste Europeu, não denunciam seus opressores mesmo quando a polícia garante protegê-las. Algumas poucas corajosas relatam os abusos sofridos: estupros, espancamento e falta de comida. A ameaça, ou melhor, promessa mais constante é de que se elas tentarem escapar terão suas famílias dizimadas. Estima-se que só na Grã-Bretanha mais de 20 mil mulheres são mantidas como escravas sexuais pela máfia albanesa. Muitas são exclusivamente prostitutas virtuais, incluindo garotas de apenas 14 anos. Um oficial da Scotland Yard chegou a dizer ao The Times que nunca viu nenhum grupo como as gangues albanesas, e que eles chegam a ser viciados em violência.

            Em Kosovo, a máfia albanesa se aproveitou do complicado processo de independência do país para criar um comércio de tráfico de órgãos. Seis centros de detenção foram encontrados no interior da Albânia, onde eram mantidos prisioneiros sérvios e kosovares. De acordo com governantes suíços que fizeram a denúncia, mesmo após a rendição da Sérvia em 1999, tais centros foram mantidos para tortura e retirada de órgãos. Os órgãos são posteriormente vendidos no mercado negro.

            As acusações apontam uma aliança entre a máfia albanesa e o Exército de Libertação de Kosovo (UCK), além do envolvimento de atuais governantes do país, aliás, o primeiro ministro de Kosovo, Hashum Thaci é acusado de ser chefe de um dos grupos mafiosos da Albânia.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Cosa Nostra: a máfia Siciliana e os seus 10 mandamentos.



            A história da Cosa Nostra pode ser dividida em quatro fases. A primeira, inicia-se quando o rei de Nápoles editou um Decreto, em 1812, para eliminar as “forças populares”, que haviam surgido no Sul da Itália, mas, principalmente, para diminuir o poder que surgia na Sicília. Os Senhores Feudais, para resistir a tal decreto, contrataram indivíduos, chamados de “homens de honra”, criando assim uma espécie de sociedade secreta que se denominaram “Máfia”. Essa fase não é ainda um período mafioso, propriamente dito, mas um período pré-mafioso.

            A segunda fase inicia-se com o desaparecimento do Reino de Nápoles, quando essas sociedades secretas passaram a lutar contra as dinastias espanholas e francesas, que sucederam ao trono de Nápoles. A Máfia deixou de ser uma sociedade secreta e se tornou uma sociedade de resistência aos invasores. O povo simpatizou com a Máfia por ser patriótica.

            Passou a contar com mais de 100 mil camponeses que se insurgem contra Roma, surgindo a cultura do estresse entre as famílias, gerando hostilidade nas relações adversas que surgiam fazendo com que a defesa da honra significava sobrevivência.

            A única base de lealdade era a sanguínea e criou-se a cultura da obediência às regras próprias, quais sejam, a não cooperação com as autoridades e a retaliação a qualquer ofensa a um membro da família.

            Essa fase foi de uma “máfia agrária” cuja principal luta foi contra os proprietários de terras que se concluiu somente com a derrota dos movimentos camponeses e com o forte fluxo migratório, quando a agricultura cedeu espaço ao setor produtivo.

            Com a miséria que abate a região sul da Itália, no final do século XIX e início do século XX, os mafiosos viajam pela Itália em busca de melhores condições de vida. Mais pobres e rejeitados, se organizam em uma sociedade de autodefesa e criminalizam-se. Para o povo, a máfia era um grupo de camponeses violentos, de “sangue quente” que comumente faziam desafios com final de homicídios. Acontece que, desde 1890, a máfia já era uma sociedade organizada e dotada de poder político com ações internacionais, fraudes e com manobras financeiras.

            O aumento da renda permitiu o fortalecimento da sede na Sicília e a diversificação das atividades ilegais realizadas pela máfia.

            A terceira fase surge com a instalação de parte da sociedade nos Estados Unidos da América, formando as famílias italianas da América. As famílias eram compostas de parentes, incluindo os norte-americanos e suplementadas por pessoas conhecidas por amigos, que eram indicadas por parentes.

            Essa fase é urbano-empreendedora, até o final da década de 1960, em que os mafiosos proliferam-se e se inserem especialmente no setor da construção civil.

            A quarta e última fase tem seu início na década de 1970 quando se observa a transformação da “máfia-empreendedora” em “máfia-financeira”. Em um primeiro momento, a Cosa Nostra possuía como grande negócio o contrabando de cigarros e a corrupção em obras públicas. Posteriormente, o principal negócio se tornou o tráfico de entorpecentes.

            Os mafiosos, entre os anos de 1940 e 1990, passaram a controlar as eleições na Sicília, adquirindo, assim, certo poder junto à Roma.

            A Cosa Nostra se tornou a maior e mais poderosa Máfia, com aproximadamente 180 clãs.



         Através do trabalho sério de autoridades, especialmente do Juiz Giovanni Falcone e do Procurador Paolo Borsellino, ambos assassinados, posteriormente, por membros da máfia, foi descoberta a estrutura mafiosa, que é a seguinte:

            A família é a base da organização e controla um bairro ou uma cidade inteira, sendo constituída de homens de honra, “soldados”, agrupados em número de dez. Cada grupo é coordenado por um “capodecina”. Os membros da família elegem o Capo-Família que é assistido por um “Consigliere”, ou seja, assessor. Este é, normalmente, uma pessoa de notável esperteza, sagacidade e é auxiliado por vicecapi (subchefes).

            A união de três ou mais famílias, cujas áreas de atuação sejam contíguas, constitui um “mandamento” e nomeiam um “capomandamento”, normalmente um Capo-Família, mas pode ser uma pessoa diferente.

            Os capomandamenti constituem uma estrutura colegiada, chamada de “Copola”, que possui a função de garantir as regras da Máfia e de “compor as vertentes da Família” (MENDRONI, 2009, p. 295). A “Copola” é presidida por um dos capimandamento que é chamado de Secretário ou Capo.

            Existe, ainda, um colegiado superior, chamado interprovinciale, mas que pouco se sabe acerca do mesmo, mantendo um caráter secreto e misterioso.

            Uma das características mais marcantes da Cosa Nostra é que ela se assemelha a um Estado, uma vez que exerce domínio territorial e “taxa” as suas atividades de “proteção”. Aqueles que pagam à Máfia recebem proteção. Os que não pagam, são intimidados e agredidos pelos membros da Cosa Nostra.

            Além disso, a ingerência no Estado também é muito marcante, através de subornos e corrupção da máquina estatal.

“A Cosa Nostra, segundo um levantamento da Direzione Centrale della Polizia Criminale de 1995, contava com 5.487 integrantes na Sicília, sendo maior a quantidade no eixo Palermo – Catânia. Palermo teria 59 grupos com 1.492 afiliados e Catânia nove grupos com 1.476 afiliados; sendo os demais distribuídos entre Trapani, Messina, Agrigento e Siracusa” (DI CAGNO apud MENDRONI, 2009, p. 303).          

            A polícia da Itália descobriu que, a exemplo da Igreja Católica, que tem seus Dez Mandamentos, a máfia siciliana também redigiu uma lista com dez regras que devem ser cumpridas por seus membros.

Os mandamentos

Os mandamentos foram encontrados pela polícia junto com explicações para cada um deles, separadas em capítulos. As explicações dão detalhes sobre as restrições que cada mandamento representa - como, por exemplo, a proibição do jogo e de se exagerar no vinho.

1 - Não pode se apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso. (Ou seja - nenhum membro da Cosa Nostra pode ir sozinho a um encontro)

2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.

3 - Não deve se meter em confronto com os policiais.

4 - Não se deve frequentar bares ou clubes.

5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.

domingo, 21 de setembro de 2014

Yakuza:coisas que você não sabia sobre a organização criminosa japonesa.


            Poucas organizações mafiosas são tão famosas mundo afora quanto a Yakuza, a máfia japonesa. Seja por meio de filmes, seriados, desenhos animados, quadrinhos, jogos eletrônicos ou outros veículos, as práticas do grupo foram divulgadas pelo mundo e sua fama – ou infâmia – se propagou de forma romantizada, angariando admiração e respeito, quando não puro medo.



            No entanto, muitas das informações fornecidas por esses meios podem acabar distorcidas ou exageradas, passando uma impressão errada sobre a organização. Confira a seguir algumas informações e curiosidades sobre esse poderoso e assustador grupo e descubra um pouco mais sobre sua história e costumes.

País pequeno, máfia enorme

            Atualmente, a Yakuza “emprega” mais de 100 mil pessoas, o que a torna uma das maiores organizações criminosas conhecidas no mundo inteiro. Após a Segunda Guerra Mundial, o total de membros chegou a impressionantes 184 mil, o que representa mais da metade da força policial japonesa, que em 2010 contava com 291.475 homens.

Lealdade até a morte

            A estrutura de poder dentro do sindicato criminoso segue um típico formato piramidal, com o líder no topo e distribuição de poder entre suas camadas de capangas leais. Seguindo as tradições japonesas, os kobun (termo que designa os seguidores ou “filhos”) têm o dever de manter uma lealdade inabalável e obediência absoluta ao oyabun (o chefão ou “pai”), tendo que estar dispostos até a sacrificar suas vidas pelo bem-estar de seu senhor.

Um dedo a menos

            Falhas de subordinados ao cumprir ordens dificilmente resultam em simples broncas ou “demissões”, sendo predominantes as punições por meio de violência física. Erros mais graves costumam ser “pagos” por meio da prática do yubizume, a amputação de um dos segmentos do dedo mindinho.

            O ato vem de uma tradição japonesa antiga cujo objetivo era tornar a pessoa punida mais dependente de seu superior quando precisar de proteção. Na era Meiji, isso significava que o amputado não seria capaz de brandir sua espada com tanta liberdade quanto poderia se ainda tivesse seu dedo inteiro.

A união faz a força

            A Yakuza funcionava na forma de famílias rivais até meados do século XX, quando Yoshio Kodama uniu todas as facções e se tornou seu primeiro “poderoso chefão”. O novo comandante possuía uma ideologia política de extrema direita e desviou muito dinheiro para o Partido Democrático Liberal japonês, com orientações anticomunistas.

            Kodama foi um dos responsáveis pelo escândalo de 1976 envolvendo a companhia aeroespacial norte-americana Lockheed. Por meio do intermédio da Yakuza, a empresa pagou mais de US$ 3 milhões em suborno para o primeiro-ministro japonês da época, Kakuei Tanaka. A parceria entre os mafiosos e os partidos de extrema direita nacionalista continua até hoje e traz benefícios para ambos os lados. Enquanto a Yakuza ganham influência sobre as decisões políticas por vias legais, os políticos podem usar a força da organização para atividades ilegais.

Urso assassino

            Conhecido pelo apelido Kuma (que pode ser traduzido como “urso”) por conta do seu costume de atacar os olhos dos oponentes, Kazuo Taoka era o oyabun da maior família de mafiosos do Japão, a Yamaguchi-gumi. Certa vez, o chefão recebeu um tiro na parte traseira do pescoço e sobreviveu sem sequelas – seu atacante, no entanto, não teve a mesma sorte e foi encontrado morto uma semana depois, tendo seu corpo abandonado em uma floresta na área de Kobe.

Síndrome de Robin Hood

            Os membros da Yakuza costumam ver mortes violentas como uma forma poética, trágica e honrosa de partir dessa para uma melhor, além de terem o hábito de roubar dos ricos e ajudar os desprovidos. Esses conceitos românticos da vida criminosa fazem com que a organização acabe sendo vista favoravelmente pelo público.

sábado, 20 de setembro de 2014

20 de Setembro - Revolução Farroupilha


              O 20 de Setembro é a data máxima para os gaúchos. Neste dia celebram-se os ideais da Revolução Farroupilha, que tinha como objetivo propor melhores condições econômicas ao Rio Grande do Sul.

As Causas
           O estado do Rio Grande do Sul vivia basicamente da pecuária extensiva e da produção de charque, que era vendido para outras regiões do País. No início do século XIX, a taxação sobre o charque gaúcho tornava o produto pouco competitivo, e logo o charque proveniente do Uruguai e da Argentina passou a abastecer esta demanda.   Alguns estancieiros, em sua maioria militares, propuseram ao Império Brasileiro novas alíquotas para seu produto, a fim de retomar o mercado perdido para os vizinhos do Prata. A resposta não foi nada satisfatória. Indignados com o descaso da Corte e cansados de ser usados como escudo em várias guerras na região, os gaúchos pegaram em armas contra o Império.


A guerra
            Em 20 de Setembro de 1835, tropas lideradas por Bento Gonçalves marcharam para Porto Alegre, tomando a capital gaúcha e dando início à guerra. O governador Fernandes Braga fugiu para a cidade portuária de Rio Grande, que tornou-se a principal base do Império no estado.

            Em 11 de Setembro de 1836, após alguns sucessos militares, Antônio de Souza Netto proclama a República Rio-Grandense, indicando Bento Gonçalves como presidente. O líder farrapo, no entanto, mal toma posse e, na Batalha da Ilha do Fanfa sofre uma grande derrota e é levado preso para o Rio de Janeiro, e logo em seguida para o Forte do Mar, em Salvador, de onde fugiria espetacularmente.


            A revolução se estendeu por dez anos e teve altos e baixos para os dois lados. Um dos pontos altos foi a tomada de Laguna, em Santa Catarina com a ajuda do italiano Giuseppe Garibaldi, em 1839. Finalmente os farroupilhas tinham um porto de mar. Ali foi fundada a República Juliana (15 de julho de 1839).

            Após dez anos de batalhas, com Bento Gonçalves já afastado da liderança e com as tropas já muito desgastadas, os farrapos aceitam negociar a paz.  Em fevereiro do 1845 é então selada a paz em Poncho Verde, conduzida pelo general Luís Alves de Lima e Silva. Muitas das reivindicações dos gaúchos foram atendidas e a paz voltou a reinar no Brasil.

A cultura
            A Revolução Farroupilha é o mito fundante da cultura gaúcha. É a partir dela que se estabelece toda a identidade do povo gaúcho, com suas tradições e seus ideais de liberdade e igualdade. Hoje a cultura gaúcha é reverenciada não só no estado, mas no país e no mundo, através dos milhares de CTGs (Centro de Cultura Gaúcha) espalhadas por todos os cantos. E a cada 20 de Setembro, o gaúcho reafirma o orgulho de suas origens e o amor por sua terra.

Hino Rio-Grandense

Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Música: Joaquim José de Mendanha
Harmonia: Antônio Corte Real

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da Liberdade

Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Estudo sobre Valhalla




"Olhe! Lá vejo meu pai.
Lá vejo minha mãe, irmãos e irmãs.
Lá vejo meus ancestrais. Todos eles.
Olhe! Clamam por mim.
Querem que eu vá assumir meu lugar dentre eles.
Nos salões de Valhalla. Onde os bravos vivem para sempre."

Oração Viking

            Ao imaginar um antigo guerreiro nórdico, de espada em punho no campo de batalha, preparado para lançar-se a luta alguém poderia se perguntar se ele não teme o que lhe espera após a morte. Pouco provável, ele poderia até estar desejoso por tal destino, dado o glorioso destino de um guerreiro viking que tombe em batalha. Logo eles lançavam-se corajosamente à peleja pois caso morressem com bravura eles seriam recebidos no Valhalla, o grande salão dos mortos de Odin.

            O salão Valhalla está cosntruído no Bosque de Glesir em Asgard, o lar dos deuses Aesir. Ao seu redor um resistente muro e em seu interior paredes feitas de lanças e um teto feito de escudos, incrustados de gemas e metais preciosos. O salão era tão grande que suas quinhentas portas permitiam que seus soldados facilmente saíssem quando fossem chamados para o dia fatídico d Ragnarok.



            O Ragnarok é o esperado “último dia” do mundo, ou do ciclo do universo nórdico, quando os deuses batalhariam o mal e morreriam, e o mundo chegaria a um fim. Esta é a razão da existência do salão do Valhalla, treinar os guerreiros para este dia. Quando um bravo soldado morria com valentia no campo de batalha ele era escolhido por Odin e levando ao Valhalla por uma Valquíria para juntar-se aos seus irmãos mortos.

            No entanto, não era fácil entrar no Valhalla. Para se tornar um “einherjar” (guerreiro solitário, literalmente) o escolhido deveria passar por vários obstáculos, testes de força, habilidade e bravura, antes de pode atravessar o portão sagrado Valgrind. Uma vez dentro, ele podia esperar uma eternidade agradável, lutando e comendo banquetes com outros guerreiros escolhidos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Tópicos Principais do Positivismo de Augusto Comte


            O Positivismo de Comte é a corrente filosófica que promove e estrutura o último estágio de desenvolvimento que a humanidade teria atingido, de acordo com sua teoria. Comte usa o termo filosofia tal como Aristóteles, i.e., como definição do sistema geral de conhecimento humano. Descarta conhecimentos que não possam ser comprovados experimentalmente. Compreende não apenas uma teoria da ciência, mas também uma concepção de história e proposta de reforma da sociedade e da religião. Positivismo em sentido amplo designa teoria que exclua toda e qualquer negação e afirme apenas o idêntico.

            O termo positivo é usado significando real, por oposição ao quimérico, o útil em oposição ao ocioso. Significa também o contrário de negativo e indica tendência de substituir o absoluto pelo relativo.

            A Lei dos Três Estados  Comte afirma ter descoberto uma grande lei fundamental segundo a qual o espírito dos indivíduos (e da humanidade, e das ciências) atravessa um estado teológico (em que se acredita-se que fenômenos são obra de agentes sobrenaturais), um estado metafísico (em que agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas) e um estado positivo (em que se limita a expor fenômenos e suas inter-relações) . É somente no terceiro estado que se realiza o verdadeiro espírito científico ou positivo, que se atém à observação dos fatos, à racionalização sobre eles, e à busca de suas leis (suas relações invariáveis).

            Comte afirma que o espírito positivo está tão afastado do empirismo (que é uma “estéril acumulação de fatos) quanto do misticismo. Somente existe ciência quando se conhecem os fenômenos por suas relações constantes de concomitância e sucessão (i.e., suas leis), acarretando possibilidade de previsão racional.

            Comte afirma que o conhecimento é incompleto e relativo, em oposição às propostas metafísicas do absoluto.

            Ciência é a forma de conhecimento que: (a) tem certeza sensível de observação sistemática e certeza metódica de acesso aos dados fenômenos estudados; (b) relaciona fenômenos a princípios; (c) busca relações de concomitância e sucessão entre fenômenos,i.e., busca suas leis. O fim da Filosofia é a organização das ciências.

            Critérios de Classificação das Ciências  (a) ordem cronológica de seu aparecimento; (b) complexidade crescente de cada uma das ciências; (c) generalidade decrescente; (d) dependência mútua entre estudos científicos.

            Ciências em Estado Positivo  Astronomia; Física; Química; Filosofia; Sociologia (Física Social).

Quanto mais simples é uma ciência, mais rápido entra no estado positivo.

            Sociologia ou Física Social é a mais importante das ciências. Constitui o resumo e o coroamento das demais que a precedem. Significa o ponto de partida da moral, política e da religião.

            Moral, Política e Religião Positivas: (a) estática social, estuda a harmonia das condições de existência e estabelece a ordem social; (b) dinâmica social, estuda o desenvolvimento ordenado da sociedade e estabelece as leis do progresso.

É com Ordem e Progresso que Comte procura superar as duas principais correntes políticas de seu tempo. A corrente conservadora argumentava que os problemas existentes na sociedade emanavam da destruição da ordem anterior (ordem medieval, aristocrática). A corrente progressista achava que os problemas eram originados pela não ruptura total com a ordem anterior. Comte afirma que sem ordem não há progresso, que é o desenvolvimento da própria ordem. Há complementaridade entre ordem e progresso, visando restaurar a unidade social. Idéia-chave “amor por princípio, ordem por base, progresso por fim”.

            A Moral de Comte é geralmente conhecida por suas teses mais populares: altruísmo (viver para outrem), ou negação dos direitos em favor dos deveres, ou a crítica à liberdade de consciência. A moral deveria despertar nos súditos sentimentos de obediência e sujeição, e nos governantes, responsabilidade no exercício da autoridade. Os ricos deveriam administrar perfeitamente seus bens, e os pobres deveriam satisfazer-se com sua posição social. Nem a economia, nem a política poderiam ser vistas separadamente da moral.

            Religião da Humanidade como Grande Ser consiste em ordenar cada natureza individual e religar todas as individualidades. Prega a comunhão de todos os homens no tempo e no espaço. Influenciada pelos sacramentos católico-romanos, com culto à mulher, centralização em Paris, formulação de novo calendário. O calendário positivista inclui dias santos  para “louvar” pensadores como Descartes.

            Heranças do Positivismo atualmente  desprezo pela metafísica; valorização do fato, da experiência e da prova; confiança sem reservas na ciência; forma “científica” aos estudos sociais; sociedade prevista e controlada em todos os níveis.

     Correntes Positivistas   Ortodoxa é minoritária e adota a parte religiosa. Heterodoxa é a majoritária, adota apenas parte filosófico-política.

            Positivismo no Brasil  participação na Proclamação da República (1889) e Constituição de 1891, mote “Ordem e Progresso” na bandeira. Separação da Igreja e do Estado, decreto de feriados, casamento civil, exercício das liberdades religiosa e profissional, fim do anonimato da imprensa, reforma educacional (proposta por Benjamin Constant).

            Ponto Fraco da Teoria Científica de Comte  desconsidera procedimentos hipotéticos e dedutivos, portanto sua metodologia torna-se fraca.

Julian Szymański

ALGUMAS MÁXIMAS DE AUGUSTE COMTE:

Amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim.

Ordem e progresso.

Viver para outrém.

Viver às claras.

A Família, a Pátria, a Humanidade.

O progresso é o desenvolvimento da ordem.

O homem se torna cada vez mais e mais religioso.

Amar, pensar, agir.

Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto.

Saber para prever, a fim de prover.

Induzir para deduzir, a fim de construir.

Os vivos são cada vez mais governados pelas culturas deixadas pelos mortos.

O espírito deve ser sempre o ministro do coração, jamais o seu escravo.

Agir por afeição e pensar para agir.

A submissão é a base do aperfeiçoamento.

Os mais nobres fenômenos são sempre subordinados aos fenômenos mais grosseiros.

Conheça-te a ti mesmo para melhorares.

O homem ficará cada vez mais subordinado a humanidade.

O homem resume nele todas as leis do mundo.

O joelho do homem jamais se dobrará se não diante da mulher honrada e amada e não feminista.

Saber não maximizar os detalhes para melhor utilizar o conjunto.

A ordem continuará retrógrada, enquanto que o progresso continuará anárquico.

Ninguém possui outro direito se não de fazer sempre o seu dever.
Satisfazer os pobres mas mantendo os ricos.

Cansa-se de pensar e mesmo de agir, mas não se cansa nunca de amar.

Caso seja o coração que deva colocar as questões, é sempre o espírito que deve responder.

A ciência real deve chegar a sã filosofia e esta ser capaz por sua vez fundar a verdadeira religião.

Toda tendência a dominar os estudos superiores pelos inferiores, deve desaparecer, como prova de imoralidade e como sinal de incapacidade.

Não é somente para modificar a ordem universal que nós necessitamos conhecê-la, nós a estudamos, sobretudo para usá-la dignamente.

Não existe, como princípio, família sem sociedade, como sociedade sem família.


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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.