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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores






São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.

A multiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).



Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.

Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.

Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico.



Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao Expresso: "Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos".



quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Vida de Edgar Allan Poe. PARTE III.



Nesta terceira e última parte dos relatos referentes a vida de Edgar Allan Poe, conheceremos a última etapa da vida de um homem que sua genialidade é inspiração ainda hoje e com toda certeza o será no futuro para milhares de escritores e fascínio para milhões de leitores. Mas não deixou de lembra aos amigos do Construindo História Hoje que para uma contemplação plena desse texto leia antes a primeira e segunda parte: “A vida de Edgar Allan Poe. PARTE I” e “A vida de Edgar Allan Poe. PARTE II”. Que realizem uma excelente construção de conhecimento por meio destas leituras.

Após o casamento com Vírgina, a alegria de Edgar Poe não perdurou, pois depressa a melancolia se reapossa dele, e não pode passar sem o álcool e a droga. Após violentas e frequentes crises nervosas, cai em terríveis fases de depressão e desinteressa-se totalmente da sua profissão. Então White despede-o definitivamente. Em julho de 1883 a família Poe vai instalar-se em Nova Iorque. O poeta publica o romance “As Aventuras de Arthur Gordon Pym”, mas não consegue encontrar um emprego fixo. É à Maria Clemm que incumbe agora a manutenção dos ‘seus filhos’. Saturado de Nova Iorque, onde se sente incompreendido e se julga mesmo perseguido, Poe vai instalar-se em Filadélfia, onde colabora não “Gentleman’s Magazine” de W. Buston, que lhe publica alguns dos seus mais célebres contos.

Em junho de 1840 a sua colaboração no “Gentleman’s Magazine” é interrompida. Começa então para o poeta um dos períodos mais sombrios da sua existência. Não tem trabalho, Virgínia cai doente, é a miséria negra. Após várias tentativas goradas para remar contra a maré, Poe instala-se de novo em Nova Iorque e colabora no “New York Sun” e no “Evening Mirror”, que publica, em 19 de janeiro de 1845, o seu poema “O Corvo”.


“O Corvo”, arauto do sucesso

É o triunfo. O público está literalmente galvanizado por tão insólita poesia. O sucesso literário faz-se acompanhar de um sucesso mundano. Após ter relegado para o campo, em Fordham, a pobre Virgínia, que precisa de ar puro, “Poe, o Corvo”, começa a levar uma vida caótica, percorrendo todos os Estados da União para declamar o seu grande sucesso nos salões elegantes. É o período dos deslumbramentos e das paixões literárias. A mais notória das suas ligações, com a poetisa Frances Osgood, termina de uma forma lamentável. Ela não tarda a preferir-lhe o Reverendo Griswold, rival literário e mundano de Poe e, ironia do destino, seu futuro executor testamentário. Em outubro de 1845, Poe alcança a orientação exclusiva do “Broadway Journal” de Nova Iorque, que o editor Briggs imprudentemente lhe confiou. Tendo investido na operação todo o  capital de que dispunha, Poe encontra-se dentro em breve impossibilitado de prosseguir a publicação do jornal. Durante dos longos meses vagueia como um obcecado em busca de fundos, mas, devido a não ter podido liquidar uma letra de 50 dólares, tem de acabar por desistir. É a derrocada final. Uma vez mais a mamãe Clemm acorre em seu auxilio e leva-o com ela para o campo.

Em Fordham a família habita uma casa modesta, vivendo, na mais completa indigência, da caridade dos vizinhos e dos donativos de algumas pessoas generosas. Para Poe, os períodos de trabalho alternam com fugas para os lugares mais estranhos, onde vai cortejar antigas e novas amásias ou emborrachar-se. A 30 de janeiro de 1847 Virgínia morre. Em sua memória, Poe escreve o dolorido “Ulalume”.

A asa negra da morte

Tendo abandonado Fordham, Poe entrega-se mais uma vez à vida caótica de declamador. Após ter declarado inutilmente o seu amor a uma amiga de Virgínia, a senhora Shew (depressa esquecerá a mulher), faz a corte simultaneamente à senhora Richmond e à senhora Whitman. Depois de breve indecisão, a sua escolha recai na última. A senhora Whitman, ao que parece, o aceita com entusiasmo. Muito menos entusiastas se mostram os seus parentes próximos, constrangidos a pôr pela porta  fora o peta bêbado. Poe desata então a escrever cartas inflamadas à senhora Richmond, e em 1 de julho de 1849 parte  a juntar-se-lhe em Lowell, no Massachusetts. Porém, em Filadélfia vai reencontrar antigos camaradas dos copos, embebeda-se sistematicamente, sofre uma crise de “delirium tremens”, tenta por duas vezes suicidar-se.

Em 7 de julho volta a Fordham, para junto de mamã Clemm. Mas imediatamente o recupera a agitação. Em julho mesmo já se encontra em Richmond, onde reencontra a sua antiga namorada, Elmira Royster, tornada viúva Shelton. Na sequência de uma corte rápida, mas impetuosa, a data do casamento é fixado para 17 de outubro. Edgar deixa de beber e de se intoxicar. Chega mesmo a inscrever-se na Liga dos Filhos da Temperança. É a calma aparente antes da tempestade final.

A 27 de setembro, desse mesmo ano, parte para Nova Iorque. Vai convidar Mamã Clemm a assistir ao casamento. Em Baltimore, embriaga-se. Volta a partir, mas num comboio desmaia e um fiscal reenvia-o a Baltimore. Jamais se virá saber o que foram os últimos dias de sua vida. A 3 de outubro descobrem-no numa valeta, perto de Hight Street, sujo, andrajoso, inconsciente. Transportado para o Hospital Washington, morre em 7 de outubro de 1849, às 5 horas da manhã.

“Eu não fui desde a infância jamais
Semelhante aos outros. Nunca vi as coisas
Como os outros as viam. Nunca logrei
Apaziguar minhas paixões na fonte comum
Nem tão-pouco extrair dela os meus sofrimentos.
Nunca pude em conjunto com os outros
Despertar o meu peito para as doces alegrias,
E quando eu amei fi-lo sempre sozinho.
Por isso na aurora da minha vida borrascosa
Evoquei com fonte de todo o bem e todo o mal
O mistério que envolve, ainda e sempre,
Por todos os lados, o meu cruel destino (...)”
Edgar Allan Poe


ESOPO


Esopo era um escravo de rara Inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:

__Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.

__Como?  _ perguntou o amo, surpreso _ Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?

__Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.

Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para se explicar.

__ Meu amo, não vos enganei _ retrucou Esopo __ A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?

__Boa, meu caro __ retrucou o amo __ Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?

__É perfeitamente  possível, senhor. E com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda
Terra.

Concedida à permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o escravo e obteve dele surpreendente resposta:
__Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? __ indagou Esopo.

Impressionado com a inteligência invulgar do serviçal, o senhor calou-se, comovido e, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.

Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.


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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.